EDP quer 90% da energia a vir das renováveis em 2022. Compra da Viesgo é só o primeiro passo

Dos atuais 26,8 GW de capacidade total instalada da EDP, 19,8 GW já são renováveis (74%) . Com a compra da Viesgo, a elétrica supera a barreira dos 20 GW, e quer chegar a 28 GW já daqui a dois anos,

 

Até 2022, a EDP quer ter mais de 90% da sua geração de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, somando para isso mais sete GW de potência instalada ao seu portfólio atual. Daqui a dois anos, a elétrica terá então quase 28 GW de energia eólica, hídrica e solar, entre outras. As metas foram traçadas por Vera Pinto Pereira, CEO da EDP Comercial, durante a sua intervenção no webinar E-Vision: Powering European e-mobility, promovido pela Eurelectric.

O primeiro passo para lá chegar já está dado: a empresa acaba de juntar os primeiros 511 MW extra de capacidade renovável ao seu leque de ativos, com a compra da espanhola Viesgo.

Do lado dos membros do Conselho de Administração Executivo da EDP que não viram os seus cargos alterados com a suspensão de funções de António Mexia e a subida de Miguel Stilwell de Andrade a CEO interino, a gestora responsável pela comercializadora da EDP sublinhou que estes objetivos só poderão ser cumpridos com a recém-anunciada compra da espanhola Viesgo, antiga EON Espanha, por 2,7 mil milhões de euros (dívida incluída), para a qual a elétrica levou a cabo um aumento de capital de pouco mais de mil milhões de euros.

“Esta semana acelerámos o ritmo. Anunciámos uma compra crítica para esse caminho. A aquisição da Viesgo, a quarta maior empresa de redes de distribuição de eletricidade da Península Ibérica, com ativos renováveis, reformulará nosso portfólio ibérico, com um maior foco em ativos que possam fazer avançar a transição energética. Para financiar parcialmente essa aquisição, lançámos um aumento de capital de mil milhões, porque queremos avançar e continuar a investir em ativos que promovem a transição energética”, disse a CEO da EDP Comercial, acrescentando que, na mesma semana, a empresa anunciou também “o fim da sua maior central a carvão na Península Ibérica, em janeiro de 2021, dois anos antes do prazo, esperamos”. O encerramento da central de Sines aguarda agora o sim do Governo, para poder avançar na data anunciada pela EDP.

O que tem a EDP hoje nas renováveis e na distribuição

Nos últimos 12 meses, a EDP instalou 847 MW de capacidade eólica e, por outro lado, procedeu à desconsolidação de 1,3 GW também eólicos, no âmbito da estratégia de rotação de ativos inscrita no plano estratégico da empresa. No final de junho de 2020, a capacidade eólica e solar em fase de construção chegava já aos 2 GW, o dobro face a 1 GW em fase construção três meses antes, em março.

No primeiro semestre do ano, as energias renováveis atingiram um peso de 80% no total da eletricidade produzida pela EDP, deixando a empresa a uma distância de dez pontos percentuais da meta acima de 90% para 2022 traçada por Vera Pinto Pereira.

Dos atuais 26,8 GW de capacidade total instalada da EDP, 19,8 GW já são renováveis. Os restantes 26% (7 GW) são ainda de origem fóssil (carvão e gás). Este foi o ano em que o carvão quase saiu do mapa da EDP na Península Ibérica: no primeiro semestre de 2019, a empresa produziu ainda 5.028 GWh de eletricidade com base no carvão, enquanto em igual período deste ano não foi além dos 1.207 GWh, uma queda de 76%. “Com exceção da central de Aboño, suportada pelo seu modelo de economia circular com queima de gases siderúrgicos, as restantes centrais a carvão mantiveram-se paradas, sem qualquer produção de eletricidade”, refere a EDP nos seus Dados Operacionais.

Na distribuição, em Espanha a EDP opera já em algumas comunidades autónomas, com destaque para a região das Astúrias. No primeiro semestre de 2020, a eletricidade distribuída pela EDP na Península Ibérica foi de 27.318 GWh: 23.491 GWh em Portugal, onde a empresa cobre todo o país e é o principal operador de redes de distribuição, com uma extensão total de 228.046 km; e 3.827 GWh em Espanha. A EDP tem hoje cerca de 20.000 km de redes de distribuição do lado de lá da fronteira.

Antes e depois: O que ganha a EDP com a compra da Viesgo?

O que vai somar com a compra da empresa espanhola

A compra da Viesgo inclui 100% do negócio renovável da empresa espanhola, através da EDP Renováveis (detida em 82,6% pela EDP). No total são mais 24 parques eólicos em Espanha e Portugal (381 MW e 74,8 MW, respetivamente), bem como duas centrais mini-hídricas localizadas em Jaen (20 MW) e Murcia (5,25 MW), representando no total 511 MW de capacidade instalada líquida, comprados por 565 milhões de euros (valor de mercado e dívida).

Além dos ativos renováveis, o pacote adquirido pela EDP inclui também duas centrais térmicas no sul de Espanha. Segundo a empresa, esta não é a aposta prioritária do grupo, mas estas centrais serão descomissionadas já em 2021, e por isso a elétrica está de olho, sobretudo, no direito aos pontos de ligação à rede para poder injetar energia elétrica renovável no futuro (potencialmente mais 912 MW), refere a EDP no comunicado que enviou à CMVM.

Antiga EON Espanha, a Viesgo tem como base do seu negócio a geração renovável (25%) e distribuição de eletricidade (75%), com quase 700.000 clientes no norte de Espanha e uma produção de cerca de 1.400 MW, dos quais a maioria provenientes de fontes renováveis. É hoje o quarto maior distribuidor de eletricidade no país, com uma base de ativos regulados de aproximadamente mil milhões de euros a 31 de dezembro de 2019 e uma rede de distribuição com 31.300 quilómetros de extensão nas comunidades autónomas da Cantábria, Galiza, Astúrias e Castela e Leão. A somar aos atuais 20.000 km, a EDP ficará com mais do dobro da extensão de redes elétricas em território espanhol.

Em 2019, a Viesgo deu conta de um total de ativos de 1.917 milhões de euros e um EBITDA de 174 milhões (238 milhões, excluindo a contribuição das atividades de geração térmica).

“A transação da Viesgo representa uma oportunidade de investimento singular para a EDP, estando totalmente alinhada com o crescimento em renováveis e redes: aumento do peso das redes de eletricidade e renováveis; crescimento para mais do dobro das atuais operações de distribuição de eletricidade em Espanha da EDP, através de licenças perpétuas com visibilidade regulatória total até 2025; reforço da posição da EDP no segmento renovável, com fortes recursos eólicos e potencial de expansão/repotenciação de capacidade [mais de 260 MW extra]; fortalecimento do perfil de baixo risco com o aumento do peso da atividade de redes reguladas”, refere ainda o mesmo comunicado.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

EDP quer 90% da energia a vir das renováveis em 2022. Compra da Viesgo é só o primeiro passo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião