Investimento no turismo não pode ter abordagem de “toca e foge”, defende secretária de Estado

  • Lusa
  • 6 Agosto 2020

A secretária de Estado do Turismo defende que os investimentos públicos no turismo não podem ter uma abordagem de "toca e foge", mas sim uma estratégia para fixar o turista durante mais tempo

A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, sublinhou esta quinta-feira que os investimentos públicos no turismo não podem ter uma abordagem de “toca e foge”, mas sim uma estratégia para fixar o turista durante mais tempo nos territórios, nomeadamente do interior.

“Mais do que suportar ou financiar um projeto isolado nos territórios do interior, importa sobretudo suportar narrativas, trilhos, caminhos e rotas que possam garantir a fixação do turista mais tempo nestes territórios. Nós não queremos uma abordagem do ‘toca e foge’, queremos uma abordagem mais holística, mais completa“, afirmou.

A governante falava à entrada das Minas da Panasqueira, na Barroca Grande, concelho da Covilhã, onde participou na cerimónia de assinatura dos contratos de financiamento para a criação de uma rota turística a partir do património mineiro dos concelhos do Fundão e da Covilhã.

Financiado no âmbito do programa “Valorizar“, o projeto tem um valor global superior a 890 mil euros e será desenvolvido por estas duas autarquias, tendo como grande objetivo transformar o passivo mineiro numa oportunidade para o território que está “no interior do interior de Portugal”, como lembraram hoje os autarcas locais.

Uma região que, tal como apontou a governante, ainda regista uma média de permanência turística, abaixo das 2,7 noites da média nacional, mas que este ano ganha uma oportunidade “redobrada” e um “balão de oxigénio”, face à maior procura de espaços menos populosos que se regista em virtude da pandemia.

Olhando para o projeto de criação de uma rota turística no couto mineiro da Panasqueira, Rita Marques prometeu regressar para participar na atividade “Mineiro por um dia”, que integra o projeto.

A rota terá ainda vários quilómetros de percursos pedestres, a possibilidade de visita de galerias inativadas das Minas da Panasqueira, bem como a requalificação da antiga lavaria do Cabeço do Pião (Fundão) e do antigo refeitório dos mineiros (Covilhã), espaços que vão acolher dois centros interpretativos da história mineira.

“Estamos a dar um primeiro passo, um passo significativo, no sentido de criarmos as condições de regenerar este couto mineiro do ponto de vista ambiental, do ponto de vista económico e do ponto de vista social”, apontou o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira.

Ressalvando que espera que o dia ainda venha muito longe, o autarca defendeu que é preciso iniciar o caminho para a altura em que minas possam deixar de laborar, dado que o minério é um recurso finito. “Temos de lançar bases para o futuro”, defendeu, sublinhando que o segmento do ‘turismo mineiro’ pode constituir uma oportunidade “única”, tal como já se vê na Europa.

Vítor Pereira também não esqueceu o passivo ambiental e lembrou que é preciso continuar a sensibilizar o Ministério do Ambiente para essa componente. Uma ideia partilhada pelo presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, que lembrou que a questão da sustentabilidade ambiental tem de estar sempre presente e que nunca se conseguirão resolver “umas coisas sem as outras”.

Por outro lado, frisou que este projeto constitui um “marco” por envolver as duas autarquias vizinhas e com um território comum e sublinhou a relevância de também se envolver a comunidade local, que já vai na 11ª geração mineira.

“Preservar a memória de tantos milhares de mineiros é vital neste processo. Não há rota mineira da Panasqueira se os mineiros não estiverem na primeira linha daquilo que possam ser os guias ou as experiências associadas a este processo”, disse.

Desde que foi lançado, o programa Valorizar já financiou em todo o país cerca de 750 projetos com mais de 100 milhões de euros, segundo apontou esta quinta-feira a secretária de Estado, que referiu o objetivo de abrir mais candidaturas.

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