PIB da Suécia teria caído o dobro com confinamento igual ao de Espanha e Itália

A economia sueca teria contraído o dobro caso as medidas de contenção tivessem sido tão restritivas como as de Espanha e Itália, mostra uma análise da Capital Economics.

A Suécia suscitou polémica nos primeiros meses da pandemia, optando por uma estratégia de poucas restrições em comparação com o que foi feito noutros países europeus, incluindo Portugal, Itália, Espanha e Alemanha. Uma das questões que pairava na cabeça dos economistas era sobre que impacto esta abordagem teria no desempenho do PIB. Ora, os números do segundo trimestre divulgados nas últimas semanas permitem responder, em parte, a essa dúvida.

Segundo uma análise da consultora Capital Economics, divulgada esta quinta-feira, a principal conclusão é que a maior abertura da economia na Suécia acabou mesmo por resultar numa queda inferior do PIB face às observadas em outros Estados-membros da União Europeia.

Vamos aos números. Em cadeia, o PIB da Suécia recuou 8,6% no segundo trimestre, segundo os dados divulgados pelo gabinete de estatística sueco na semana passada. Em Portugal, na mesma ótica, o PIB caiu 14,1% (16,5% em termos homólogos). Em Espanha foi de 18,5%, em Itália de 12,4% e na Alemanha de 10,1%.

Comparação entre as quedas do PIB e a rigidez das medidas:

No eixo vertical à esquerda está a quebra do PIB. No eixo horizontal, em baixo, está um índice da rigidez das medidas de confinamento da Universidade de Oxford.

A nossa estimativa é que a queda do PIB da Suécia seria facilmente o dobro caso tivesse aplicado o confinamento parecido ao de Itália ou Espanha“, explicam os economistas, referindo que em comparação com a estratégia da Alemanha o ganho foi de 3 a 4% do PIB. “Porém, ainda que a economia sueca tenha sofrido menos que a dos países da Zona Euro, o custo em vidas foi maior do que os seus vizinhos nórdicos”, ressalvam, referindo que, no entanto, é difícil quantificá-lo.

É de notar ainda que a rigidez das medidas não é o único fator a influenciar a queda do PIB uma vez que a crise pandémica afetou mais determinados setores, pelo que o peso destes na estrutura da economia é determinante — é o caso do turismo que pesa bastante nos países do Sul. Por outro lado, a dependência do país às exportações também é determinante, representando quase 50% do PIB no caso da Alemanha e da Suécia (menos de 35% no caso de Itália e Espanha).

Ainda assim, a estratégia “ligeira” da Suécia permite tirar “lições importantes” para esta pandemia (e futuras), mostrando que as economias ficam vulneráveis quando há um aumento do distanciamento social, mesmo que este não seja imposto pela lei. “Esta experiência única nos últimos meses fez da Suécia uma exceção na medição do trade-off [compromisso] entre a severidade do confinamento e a quebra da atividade económica”, rematam os economistas.

O país tornou-se assim um “grupo de controlo” nesta experiência, tanto para os economistas como para os epidemiologistas, oferecendo conhecimentos sobre os custos e os benefícios das diferentes estratégias quando (e se) chegar uma segunda onda de infeções. Outra das lições é que, mesmo na ausência de restrições legais, as mudanças comportamentais irão ter um “elevado” custo económico se a propagação do vírus aumentar novamente.

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