Políticos nos quadros criam valor para as empresas? Depende do nível de corrupção no país

Os investidores acreditam que nomear um político para os quadros da empresa é mais benéfico num país com taxas mais altas de corrupção, revela estudo da Católica Lisbon School of Business & Economics.

Um novo estudo científico da Católica Lisbon School of Business & Economics sugere que a perceção de corrupção na sociedade afeta a forma como os investidores veem a nomeação de um político para o quadro de uma empresa.

Os investidores tendem a reagir de forma positiva à nomeação de um político para o quadro de administradores quando a empresa opera numa indústria altamente regulada e opera num país com níveis mais elevados de corrupção. Isto acontece porque os políticos conhecem bem os processos legislativos e podem usar as suas ligações para influenciar as decisões políticas em favor da empresa.

Esta é uma das principais conclusões do investigador Omar El Nayal no estudo Ties That Bind and Grind? Investor Reactions to Politician Appointments to Corporate Boards, publicado no Journal of Management, que reuniu dados de 14 países e as nomeações para o quadro de mais de 1.000 empresas, que conclui que em países com menor corrupção como a Suécia ou a Dinamarca, os investidores não mostram esperar muito valor da nomeação de políticos para os quadros de empresas reguladas.

Por outro lado, em países com uma perceção elevada de corrupção, os investidores ficam nervosos quando as empresas já têm políticos no quadro de administradores. Nestes casos, a nomeação de mais políticos pode ser vista com desconfiança pelos investidores e gerar preocupação de que se forme uma coligação dominante de políticos na administração possa procurar usar a empresa para o seu ganho pessoal ou político.

“Se mesmo entre alguns dos países mais desenvolvidos do mundo vemos que a perceção de corrupção tem um impacto significativo no valor das empresas, imagine-se se replicássemos o estudo com casos mais extremos do resto do planeta,” refere Omar El Nayal, citado em comunicado. “As ligações políticas são, em geral, boas para as empresas ou não? Não é que sejam sempre boas ou sempre más – então a pergunta é, em que situações é que são boas?”, sublinha o investigador.

Contudo, “sob certas condições, a corrupção somada às ligações políticas pode ser problemática para uma empresa,” acrescenta Omar El Nayal. “Com a corrupção, as ligações políticas podem trazer benefícios, mas também podem, sob certas circunstâncias, apresentar riscos significativos. Em países com menos corrupção, não existem estes extremosnão é de esperar ter benefícios muito grandes com as ligações políticas, mas também não haverá muitos custos.”

A perceção pública da corrupção foi medida através do Corruptions Perceptions Index. Omar El Nayal é professor auxiliar na Católica Lisbon School of Business and Economics desde 2019 e doutorado em gestão estratégica e empreendedorismo pela Rotterdam School of Management, na Holanda.

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