Draghi vê na emissão de dívida da UE a “base” para um Ministério das Finanças europeu

O ex-presidente do Banco Central Europeu considera que a emissão de dívida da Comissão Europeia, em nome da UE, pode ser a "base" de um Ministério das Finanças comum, o que beneficia o euro.

O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) afirmou esta terça-feira que, ao criar o precedente de emitir dívida comum, o Fundo de Recuperação europeu pode ser a “base” da estrutura de um Ministério das Finanças (ou Tesouro) comum na União Europeia. Num discurso em Rimini (Itália), Mario Draghi considera que a Europa pode emergir “reforçada” da crise pandémica, após ter demonstrado capacidade de chegar a acordo, apesar das duras negociações.

“A Próxima Geração UE (Fundo de Recuperação europeu) enriquece o arsenal europeu de políticas”, afirmou Draghi numa conferência realizada esta terça-feira, assinalando que a ação dos Governos é possível pela segurança que a política monetária do BCE dá aos Estados-membros. Anteriormente, durante o seu mandato, o italiano pediu diversas vezes aos Estados-membros da Zona Euro para usarem a política orçamental de forma a contribuírem para o crescimento da economia europeia.

Para Draghi, “o reconhecimento desse papel que um orçamento europeu pode ter na estabilização das nossas economias, e o precedente de emitir dívida conjunta, são importantes e podem formar a base de uma estrutura de um Ministério das Finanças comum“, o que iria beneficiar a estabilização do euro. O ex-presidente do BCE, que foi sucedido por Christine Lagarde, elogia também o facto da Comissão Europeia, que vai emitir dívida em nome da União Europeia, estar “no coração da ação” neste Fundo de Recuperação europeu, enquanto braço executivo da UE.

As palavras do italiano sugerem que vê a possibilidade de um Ministério das Finanças europeu a concretizar-se no futuro: “Está na natureza do projeto europeu evoluir gradualmente e de forma previsível, com a criação de novas regras e instituições“, disse, assinalando a introdução do euro após a criação do mercado único. “A criação de um orçamento europeu — que é a direção natural da evolução da nossa arquitetura institucional — irá um dia corrigir a falha que ainda existe”, concluiu, referindo-se a falta de um poder orçamental a nível europeu.

Além da crise pandémica e do projeto europeu, Draghi deu destaque no seu discurso ao investimento nos mais jovens e em educação. Para o ex-presidente do BCE a situação atual tornou “mais urgente” a necessidade de um “investimento massivo” nesta área. Mais: “existe um imperativo moral em fazer esta escolha e fazê-la bem”, diz, referindo que a dívida criada pela crise pandémica não tem precedentes e será reembolsada maioritariamente pelos que são jovens agora.

“É nosso dever equipá-los com os meios para pagarem a dívida”, avisa, criticando um “egoísmo coletivo” que levou os Governos a focarem-se nas iniciativas que têm retorno político imediato. “Isto deixou de ser aceitável hoje”.

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