De Costa a Merkel, ninguém admite voltar a confinar porque a economia não aguenta

Vários países europeus estão a registar níveis elevados de novos casos de Covid-19. Há novas restrições, mas os líderes querem evitar novos confinamentos.

Depois de se verificar um “achatar” da curva em vários países, o número de casos de Covid-19 voltou a aumentar, motivando os Governos a apertar de novo as restrições. Ainda assim, vários líderes querem evitar um novo confinamento, por preocupação de que a economia não consiga resistir.

O primeiro-ministro português partilha desta opinião. António Costa avisou que quando chegar o outono e o inverno não vai ser possível repetir a “capacidade de resposta” que houve em março. Ou seja, “o ano letivo não pode decorrer com as escolas totalmente encerradas” e “não podemos voltar a encerrar empresas porque isso significa milhares de postos de trabalho em risco, concretizou.

O líder do maior partido da oposição também concordou que Portugal não aguenta uma nova paragem como a que aconteceu em abril. O presidente do PSD, Rui Rio, considerou que o país “não tem condições de fechar outra vez as portas”, apontando que “é evidente que temos que criar condições para que a economia não pare como parou”.

Mais ao lado, o presidente francês também já excluiu um novo confinamento. “Não podemos fechar o país porque os danos colaterais do confinamento são consideráveis”, disse Emmanuel Macron, citado pelo Le Monde (acesso livre, conteúdo em francês). O líder admite, ainda assim, a contenção de determinadas áreas “se a situação o exigir”, indicando a sua preferência por “estratégias muito localizadas”.

Já a chanceler alemã, durante uma visita a Macron, defendeu uma atuação coordenada para que não se avance para um novo confinamento “Politicamente, queremos evitar fechar as fronteiras novamente a qualquer custo, mas tal parte do princípio de que agiremos em coordenação”, apontou Angela Merkel.

O impacto da pandemia levou a uma forte queda da atividade económica no Velho Continente nos meses iniciais do vírus. A economia europeia recuperou durante os meses seguintes mas, em agosto, esta tendência inverteu-se. O indicador que mede a atividade da indústria e dos serviços, o PMI compósito, para a Zona Euro baixou de 54,9 pontos em julho para 51,6 pontos em agosto.

Isto numa altura em que se está a registar um aumento do número de novos casos em vários países europeus para níveis que não se via desde maio. A tendência verifica-se principalmente em Espanha e Itália, países que foram os primeiros focos do vírus na Europa, bem como na Alemanha e França.

Do outro lado do Atlântico, também o presidente norte-americano continua a mostrar-se contra maiores restrições. No início do mês, Donald Trump reiterou que um confinamento iria fazer mais mal do que bem. “Um confinamento permanente não é um caminho viável para produzir o resultado desejado ou certamente não é um caminho viável para a frente e acabaria por infligir mais danos do que prevenir”, disse, segundo a CNBC (acesso livre, conteúdo em inglês).

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