BCE mantém estratégia. Metas de inflação, juros e estímulos não mudam

Conselho de Governadores reuniu-se esta quinta-feira pela primeira vez após as férias. A presidente Christine Lagarde vai divulgar novas projeções para a economia.

O Banco Central Europeu (BCE) vai manter a estratégia inalterada, com os juros em mínimos históricos e os estímulos monetários em vigor. A decisão foi anunciada esta quinta-feira após a reunião do Conselho de Governadores, que foi a primeira após as férias de verão. Sendo este anúncio esperado pelos analistas, o foco está nas novas projeções para a economia da Zona Euro que serão comunicadas pela presidente Christine Lagarde em conferência de imprensa.

O Conselho decidiu manter a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0%, 0,25% e −0,5%, respetivamente. “O Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras do BCE se mantenham nos níveis atuais ou em níveis inferiores até observar que as perspetivas de inflação estão a convergir de forma robusta no sentido de um nível suficientemente próximo, mas abaixo, de 2% no seu horizonte de projeção e que essa convergência se tenha refletido consistentemente na dinâmica da inflação subjacente”.

Apesar de ser expectável que os juro se mantivessem nos atuais níveis em mínimos históricos, alguns analistas avançaram a possibilidade de o BCE mudar a sua meta para a inflação, tal como fez a norte-americana Reserva Federal. O banco central dos EUA anunciou que vai ser mais flexível, permitindo maior aceleração da inflação para estimular a economia e o emprego. Mas a autoridade da Zona Euro não retirou a referência ao “abaixo” na meta de inflação próxima de 2%.

Da mesma forma, o BCE também não fez quaisquer mudanças nos estímulos monetários. Vai continuar a compra de ativos devido a emergência pandémica que tem uma dotação total de 1,35 biliões de euros. “Estas aquisições contribuem para a redução da restritividade da orientação geral da política monetária, ajudando, desse modo, a contrariar a deslocação em sentido descendente da projetada trajetória da inflação relacionada com a pandemia”, explica.

“As aquisições continuarão a ser realizadas de forma flexível ao longo do tempo, por classes de ativos e entre jurisdições. Tal permite ao Conselho do BCE conter eficazmente os riscos para a transmissão regular da política monetária”, continua. Após o fim das aquisições líquidas, que vão durar até, pelo menos, final de junho de 2021, serão reinvestidos os pagamentos de capital dos títulos vincendos até, no mínimo, final de 2022.

Em simultâneo, prosseguem as compras do programa recorrente a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros, a par das aquisições ao abrigo da dotação temporária adicional de 120 mil milhões de euros até ao final do ano. Por último, o BCE garante que “continuará também a proporcionar ampla liquidez através das suas operações de refinanciamento”.

(Notícia atualizada às 13h00)

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