Do défice ao investimento, estes são os grandes números de Leão

  • ECO
  • 10 Setembro 2020

Ministro das Finanças vê "sinais positivos" na economia, mas alerta que o pior no desemprego está para vir. Mantém meta para o défice este ano, antecipando um forte investimento público em 2021.

Numa altura em que está a ser preparada a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, João Leão levantou o véu sobre as previsões com que o Ministério das Finanças está a trabalhar. Apontou, na Grande Entrevista da RTP3, para “sinais positivos” na economia, este ano, bem como para a manutenção da estimativa de défice em 2020. E sinalizou um forte aumento do investimento público em 2021.

1% de crescimento das receitas de IRS

“O IRS de agosto, depois de quedas muito acentuadas desde abril, teve pela primeira vez um aumento face ao ano anterior”, Aumentou 7%, mas “corrigindo de efeitos extraordinários que não são comparáveis”, aumentou 1%, disse João Leão, sublinhando que esta evolução reflete a retoma da atividade económica, o regresso da atividade nas empresas e os trabalhadores que saíram do lay-off e mantiveram o seu posto de trabalho.

PIB cai, mas menos de 4% no verão. E em 2021?

A economia portuguesa afundou 16,3% no segundo trimestre, em resultado do confinamento por causa da pandemia. Com o desconfinamento, João Leão vê “sinais positivos”, antecipando um impacto bem menor no PIB neste terceiro trimestre. Uma queda homóloga do PIB de 4% neste trimestre “não deverá ocorrer”, afirmou, embora trace um cenário menos positivo para o próximo ano. Leão admitiu como provável que “a recuperação no próximo ano seja mais moderada do que o antecipado em março e abril”, abandonando a ideia de uma recuperação em “V”.

Meta do défice mantém-se nos 7%. Dívida dispara

Apesar da “fatura” da pandemia, João Leão acredita que Portugal poderá chegar ao final do ano com um défice de 7%, depois do excedente histórico de 0,2% em 2019. A meta mantém-se, apesar da quebra expressiva de receitas numa altura em que são elevadas as despesas por causa da crise sanitária. De tal forma elevadas que Leão vê a dívida a disparar este ano. Aponta para um rácio de 134% do PIB em 2020, recuando para cerca de 130% em 2021.

Desemprego “dificilmente” chegará a 10%

Uma das principais preocupações do Governo tem sido a preservação dos postos de trabalho, procurando evitar a perda de rendimento das famílias por causa da pandemia. Daí medidas como o lay-off simplificado. Contudo, a taxa de desemprego está a aumentar — chegou aos 8,1% em julho –, e “ainda não passou o pior no desemprego”, diz João Leão. Contudo, o ministro das Finanças diz que “dificilmente” a taxa será superior a 10%. A estimativa oficial é de 9,6%.

Investimento público vai acelerar mais de 20%

João Leão diz, na Grande Entrevista da RTP3, que o próximo Orçamento do Estado será focado na resposta à crise pandémica, tendo a saúde e o trabalho como focos. E também a recuperação da economia. Nesse sentido, haverá uma aposta no investimento público que, diz, “está em grande recuperação”. O ministro das Finanças aponta para aumentos acima de 20% tanto em 2020 (face a 2019) como em 2021.

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