“Não vamos fazer um país do futuro sacrificando o país do passado”, garante Costa

O primeiro-ministro defendeu que a recuperação económica terá de olhar com especial atenção para as PME, nomeadamente na inovação e nas competências digitais.

“Não vamos fazer um país do futuro sacrificando o país do passado”, garantiu António Costa, esta terça-feira, na apresentação do resultado da consulta pública da Visão Estratégica. O primeiro-ministro defendeu que as PME têm de ser um dos focos do Plano de Recuperação e Resiliência, nomeadamente na inovação e nas competências digitais.

O grande salto que temos de dar é a inovação das PME“, afirmou Costa, explicando que “o país não é uma folha em branco” pelo que não é possível “redesenhar” a estrutura empresarial existente. “A grande massa são pequenas e médias empresas familiares que têm a estrutura de capital que têm”, disse Costa, algo que não irá ignorar no desenho do Plano de Recuperação e Resiliência.

Além da inovação, o primeiro-ministro deu destaque às “competências digitais” das PME, argumentando que é preciso colocar os trabalhadores a “comandar o robot” para estes não serem substituídos pelo robot. António Costa considera que muito do “populismo” alimenta-se da “angústia” sobre o futuro do posto de trabalho, nomeadamente a perda do mesmo face aos desenvolvimentos tecnológicos.

No seu discurso na apresentação da versão final da Visão Estratégica de António Costa Silva, o primeiro-ministro aproveitou para elogiar o professor do IST, agradecendo-lhe o trabalho realizado. “Agora temos uma visão. Temos o desafio de a transformar em instrumentos de política concreta”, sintetizou Costa, revelando o calendário até 15 de outubro, dia em que terá de apresentar um esboço do Plano de Recuperação e Resiliência à Comissão Europeia.

Nos dias 21 e 22 de setembro, o Governo irá ouvir os partidos políticos e o Conselho Económico e Social. No dia 23 de setembro, haverá um debate temático na Assembleia da República. A apresentação da primeira versão ocorrerá a 14 de outubro.

No encerramento do discurso, o primeiro-ministro voltou a pedir um “consenso político alargado” para a execução do Plano de Recuperação e Resiliência, um apelo que tem vindo a fazer nos últimos meses. Para Costa esse é o ingrediente do “sucesso” da execução dos fundos europeus, cujos prazos são apertados face aos últimos anos — Portugal terá de executar em média 6 mil milhões de euros por ano, o que compara com os 3 mil milhões de euros que conseguiu no melhor ano.

Na ausência de um “consenso alargado”, o chefe do Governo prevê que se vá “desperdiçar” tempo que não se tem “para executar a tempo e horas os recursos que nunca mais teremos”. Aproveitando uma frase da economista Susana Peralta, que foi responsável por um dos contributos dados à Visão Estratégica, Costa argumentou que esta é uma “oportunidade única” pelo que o país e as gerações futuras não “perdoariam” que fosse desperdiçado “um único cêntimo”.

(Notícia atualizada às 14h13 com mais informações).

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