CIP preocupada com atraso nas negociações do pós-Brexit

  • Lusa
  • 28 Setembro 2020

A Confederação Empresarial de Portugal mostrou "a maior preocupação" pelo atraso na negociação de um acordo para o pós-Brexit.

A CIP manifestou “a maior preocupação” pelo atraso na negociação de um acordo sobre as relações futuras entre o Reino Unido e a União Europeia (UE), que coloca as empresas perante riscos acrescidos “num momento de maior fragilidade”.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, a CIP – Confederação Empresarial de Portugal refere que “as empresas estão alarmadas e apelam aos responsáveis de ambas as partes para que exista vontade política para concluir um acordo”.

A CIP recorda que esta semana terá lugar a nona ronda oficial de negociações entre a UE e o Reino Unido, a última ronda negocial atualmente prevista e que precede o Conselho Europeu de 15 e 16 de outubro.

No comunicado, o presidente da CIP, António Saraiva afirma que “a CIP tem vindo a sublinhar, desde o início deste processo, a importância para as empresas de se chegar a um acordo razoável que permita proteger as relações comerciais entre a UE e o Reino Unido”. “Consideramos que ainda é possível chegar a um acordo razoável, em tempo útil, mas é necessária vontade política para que esse objetivo seja alcançado”, acrescenta António Saraiva.

A organização patronal recorda que o estudo “Brexit: As Consequências para a Economia e para as Empresas Portuguesas”, promovido pela CIP em 2018, concluiu que o Brexit terá um efeito negativo de 15% nas exportações portuguesas para o Reino Unido, mas que as perdas potenciais poderão chegar aos 26%, num cenário mais negativo, em que não exista acordo entre Reino Unido e UE. Neste estudo é estimado um impacto negativo entre 0,5% e 1% no Produto Interno Bruto (PIB) português.

“As empresas e as economias estão já a enfrentar o impacto devastador da pandemia de Covid-19 e não podem ser sobrecarregadas com mais uma situação que terá custos muito elevados”, refere ainda António Saraiva.

A CIP e a BusinessEurope acreditam que é ainda possível alcançar um acordo que mantenha o essencial das relações comerciais, salvaguardando a igualdade de condições, mas que, para isso, é fundamental respeitar os compromissos anteriormente assumidos, para que exista confiança entre as partes, acrescenta o comunicado.

Acordo de Saída deve ser concretizado e não renegociado

A Comissão Europeia vincou esta segunda-feira que o Acordo de Saída do Reino Unido da União Europeia (UE) deve ser concretizado tal como aprovado e não renegociado, insistindo na necessidade de os dois blocos chegarem rapidamente a compromissos.

“O Acordo de Saída deve ser implementado, não deve ser renegociado e muito menos alterado unilateralmente, ignorado ou desaprovado”, declarou o vice-presidente da Comissão Europeia responsável pelas Relações Interinstitucionais, Maroš Šefčovič.

Falando à imprensa em Bruxelas após a terceira reunião do comité misto UE-Reino Unido, o responsável reiterou “o pedido da UE [para o Reino unido] retirar as partes litigiosas proposta de lei do Mercado Interno até ao final de setembro”.

“Lembramos que a proposta de lei, se adotada na sua forma atual, constitui uma violação extremamente grave do Protocolo sobre a Irlanda/Irlanda do Norte, como parte essencial do Acordo de Saída, e do direito internacional”, disse Maroš Šefčovič. E, de acordo com Maroš Šefčovič, “a janela de oportunidade para pôr em prática as medidas operacionais necessárias para o funcionamento [deste protocolo] está a fechar-se”, razão pela qual salientou “a necessidade urgente de o Reino Unido acelerar o seu trabalho”.

Observando que “muitas questões difíceis permanecem e as posições do Reino Unido estão muito distantes do que a UE pode aceitar”, o vice-presidente do executivo comunitário adiantou, porém, que Bruxelas está “disposta a trabalhar arduamente” com Londres “durante os próximos dias e semanas”. “A UE está totalmente empenhada em conseguir uma implementação plena, atempada e eficaz do Acordo de Saída dentro do tempo restante disponível”, concluiu.

Londres irritou a UE no início de setembro ao avançar com uma proposta de lei que revê o Acordo de Saída ratificado em janeiro com os 27 para regulamentar a saída do Reino Unido da União Europeia.

A proposta foi aprovada na generalidade e na especialidade, embora o Governo britânico tenha cedido à pressão de um grupo de deputados conservadores preocupados com o risco de o texto violar direito internacional, aceitando apoiar uma alteração para dar ao parlamento a última palavra na decisão.

O texto deve terminar o processo na Câmara dos Comuns (câmara alta do parlamento) esta terça-feira e avançar para a Câmara dos Lordes (câmara alta), embora a imprensa britânica tenha noticiado que o Governo pretende atrasar esta fase para depois do Conselho Europeu de meados de outubro, para não comprometer as negociações em curso.

Na proposta de lei do Mercado Interno do Reino Unido, destinada a substituir as normas europeias por regras para o comércio entre as diferentes regiões do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) após a saída da UE, o Governo invoca poderes para ignorar disposições que estão no Acordo.

Em causa estão questões como o preenchimento de declarações de exportação ou controlos aduaneiros entre a província britânica da Irlanda do Norte e a Grã-Bretanha, a ilha onde se encontram a Inglaterra, Escócia e País de Gales.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, argumentou que esta legislação é uma “rede de segurança” para proteger a integridade do país de “interpretações extremistas ou irracionais do Protocolo, que podem resultar numa fronteira no Mar da Irlanda”.

Esta semana decorre também a nona ronda de negociações entre Londres e Bruxelas para um acordo de comércio pós-Brexit, sendo crucial para concluir um acordo de comércio antes do Conselho Europeu de 15 de outubro.

Meados de outubro é considerado o prazo para alcançar um entendimento, senão a ausência de um acordo resultará em tarifas aduaneiras no comércio entre o Reino Unido e o bloco europeu a partir de 01 de janeiro de 2021.

(Notícia atualizada às 14h28 com mais informações)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CIP preocupada com atraso nas negociações do pós-Brexit

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião