Este marketplace nasceu na pandemia para ajudar arte a sobreviver. Vilhs e Bordalo II lideram vendas

Com as pessoas fechadas em casa e a trabalhar remotamente, a procura por arte aumentou. As obras de Vhils e Bordalo II são as mais procuradas.

Chama-se “P55”. É um marketplace direcionado à arte que foi criado em contexto de pandemia para ajudar os artistas e galerias a sobreviverem à crise provocada pelo novo coronavírus. Já conta com mais de 100 artistas associados entre eles o Vhils, Bordalo II, Paula Rego, entre muitos outros.

“Criámos uma plataforma de arte que permite aos comerciantes, sejam artistas ou galerias, terem os seus trabalhos expostos e a possibilidade de vendê-los. As peças saem diretamente dos estúdios dos artistas e/ou das galerias para a casa do consumidor final. É uma transformação completamente digital do negócio clássico que já existia”, explica o CEO do P55, Aníbal Faria.

Com a arte trancada à chave, o CEO da plataforma viu neste nicho de mercado uma oportunidade de negócio. “Com o confinamento, os comerciantes e os artistas precisaram de um palco que lhes permitisse colocar os seus artigos à venda sem serem eles próprios a fazer essa transformação digital”, conta ao ECO.

E em apenas nove meses de existência, a plataforma já registou quase mil encomendas e vendeu mais de meio milhão de euros em obras de arte. “Com a pandemia o negócio teve um boost gigantesco que não era expectável e está a ter uma adesão muito boa”, conta com orgulho Aníbal Faria.

Bricolage, decoração e… arte

À semelhança do mobiliário, a procura por este tipo de produtos está a aumentar e justifica-se pelo facto de as pessoas passarem mais tempo em casa. “Olhamos para casa e temos as paredes vazias e não é por acaso que setores como a bricolage e decoração tiveram um impacto positivo. Nesta altura de pandemia e confinamento as pessoas procuram mais conforto nas nossas casas”, explica o CEO da P55.

Os preços das obras de arte começam nos 50 euros e ascendem os cem mil. “A peça mais cara vendida até agora na plataforma foi um quadro da artista Vieira da Silva por 65 mil euros”, conta o CEO. Aníbal Faria explica ainda que o artista e/ou galerias não têm qualquer custo ao associar-se a esta plataforma de arte. “Fazemos um ligeiro markup de todas as obras”, refere o fundador desta galeria de arte online.

O público-alvo encontra-se na casa dos 30 anos e tende a apreciar obras mais contemporâneas, revela Aníbal Faria. Face à tendência do público por obras mais modernas, as peças dos artistas portugueses Vhils e o Bordalo II são as obras mais procuradas. “O Vhils e o Bordalo II são, sem dúvida, os nossos recordistas de vendas na plataforma, têm imensa procura”, diz o jovem empreendedor.

Com a pandemia o negócio teve um boost gigantesco que não era expectável. Com o confinamento, os comerciantes e os artistas precisaram de um palco que lhes permitisse colocar os seus artigos à venda sem serem eles próprios a fazer essa transformação digital.

Aníbal Faria

CEO da P55

Um OLX da arte ibérico

Esta plataforma de arte online “é uma espécie de OLX mas segmentado para o mercado da arte“. A grande maioria dos compradores (95%) são portugueses, contrariamente aos artistas e galerias associados que dividem-se entre Portugal e Espanha. “O mercado espanhol tem sido um mercado bastante interessante para nós. Metade dos vendedores que temos são espanhóis e temos obras de Pablo Picasso, Salvador Dali, Juan Miró, Tapies “, conta Aníbal Faria.

“A adesão por parte dos vendedores tem sido muito boa, trouxe um impacto muito positivo à vida e ao comércio daqueles que estão a trabalhar connosco”, diz Aníbal Faria. Face ao sucesso do negócio o CEO revela ao ECO que o negócio vai expandir-se até ao país vizinho. “Queremos até ao final do ano ter a plataforma nas duas línguas: português e espanhol. O objetivo é trabalhar o mercado ibérico como um só”, refere.

Uma das missões deste projeto foi mostrar que a “arte pode estar disponível para todos” à distância de um clique. “Este projeto é a prova que mesmo com um baixo poder de compra conseguimos comprar arte. Com a pandemia os consumidores estão mais recetivos a compras online e nós queremos melhorar a experiência de compra”.

 

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