Metade do setor público não tem estruturas de inteligência artificial

  • Lusa
  • 7 Outubro 2020

54% das entidades do setor público considera que tem estruturas de Inteligência Artificial (IA) limitadas e metade afirma que ainda não implementou nenhuma, diz estudo da EY e da Microsoft.

A maioria (54%) das entidades do setor público considera que tem estruturas de Inteligência Artificial (IA) limitadas e metade afirma que ainda não implementou nenhuma, revela um estudo da EY e da Microsoft divulgado esta quarta-feira.

Esta é uma das conclusões do estudo “Inteligência Artificial no Setor Público”, realizado em 12 países europeus (Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Holanda, Irlanda, Itália, Noruega, Portugal, Suécia e Suíça), com a participação de 213 organizações, 23 das quais portuguesas.

De acordo com o estudo, “54% dos inquiridos portugueses revela que tem estruturas de IA limitadas face a 48% das instituições europeias, e 50% refere que não implementou IA em nenhuma área da organização em comparação à média europeia, com 28%”.

O estudo conclui também que 65% dos inquiridos europeus considera a IA como uma prioridade face a 64% dos inquiridos portugueses.

Por sua vez, mais de 50% dos inquiridos em Portugal consideram ter mais competências do que a maioria dos países europeus, no que se refere a tecnologia, dados, cultura, ética e talento.

Os autores analisaram três áreas do setor público – Administração Pública, Saúde e Transportes – e concluíram que a maioria das tecnologias usadas por empresas públicas “são soluções limitadas de IA que permitem aumentar a eficiência e a qualidade do serviço”, dando como exemplo a tecnologia usada pelo Instituto da Segurança Social (ISS).

“Apesar de as instituições do setor público estarem na fase inicial de implementação de soluções de Inteligência Artificial, ainda com poucas soluções, reconhecem a capacidade desta tecnologia na criação de valor” já que “5% dos inquiridos nacionais considera que tem um impacto significativo junto dos stakeholders face a 4% dos países europeus”, pode ler-se no documento.

O setor da saúde tem a maior taxa de adoção de IA, com 71% dos inquiridos a responderem que já implementaram um ou mais ‘use cases’ de IA, com 70% dos entrevistados deste segmento a afirmar que já implementaram uma solução de IA.

Os autores do estudo destacam ainda o Centro Hospital Universitário de São João –(CHUSJ), que “reconheceu o papel da IA na formação de futuros médicos ao equipá-los com as ferramentas necessárias para aumentar a eficiência e fornecer acesso mais rápido ao conhecimento”.

“O projeto de codificação clínica é visto como um dos vários projetos de IA que vai liderar o desenvolvimento tecnológico do CHUSJ e permitir que mais processos internos sejam otimizados eficientemente”, realça o documento.

Para o diretor executivo do setor público da Microsoft Portugal, Eduardo Antunes, “a inteligência artificial, baseada na combinação de vários fatores, nomeadamente da tecnologia e da grande quantidade de dados, irá permitir ganhos significativos na prestação de serviços aos cidadãos, bem como ganhos de produtividade e eficiência nas próprias instituições públicas, acelerando as tomadas de decisão de forma automatizada”.

“No entanto, a temática da inteligência artificial e da transformação digital nas organizações, é indissociável da importância do foco nas pessoas, na inclusão digital, na ética e na capacitação digital dos colaboradores e da sociedade em geral”, sublinha o responsável da Microsoft.

Por seu lado, Miguel Amado, da consultora EY, afirma que “a inevitável, e já evidente transição digital em curso, traz naturalmente um mundo de oportunidades e desafios e uma miríade de dados resultantes das atividades, entretanto digitalizadas”.

“A Inteligência Artificial permite transformar estes dados num conhecimento profundo do cidadão e das suas necessidades e interações com os principais serviços prestados pelo Estado – Saúde, Educação, Segurança, Justiça e Segurança Social por exemplo – ao mesmo tempo que permite otimizar as funções mais complexas da Administração Pública como Finanças Públicas ou Planeamento”, acrescenta Miguel Amado.

Entre as 23 entidades portuguesas que participaram no estudo estão a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, várias CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolcimento Regional), o CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento), o CHUSJ, a Entidade Reguladora das Águas (ERSAR), o ISS, os IPO de Coimbra e de Lisboa, vários municípios, a Presidência do Conselho de Ministros, os Transportes Sul do Tejo, e o Tribunal de Contas.

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