Proibição de venda de álcool nos supermercados pode gerar perdas de 15 milhões de euros

A associação que representa a grande distribuição estima que a proibição da venda de álcool a partir das 20h, nos supers, pode causar perdas de 15 milhões de euros e pede a abolição da medida.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) critica algumas medidas aplicadas para travar a Covid-19, nomeadamente a proibição de venda de álcool nos hiper e supermercados, depois das 20h. Uma medida ineficaz e poderá conduzir a perdas de 15 milhões de euros, caso seja mantida até final de novembro.

O diretor-geral da associação diz, ao ECO, que esta proibição “se revelou completamente ineficaz”, originando um efeito contrário ao pretendido. Segundo Gonçalo Lobo Xavier, a medida está a criar” constrangimentos nas lojas”, levando “a um maior engarrafamento” e à criação de grandes filas nestes estabelecimentos comerciais, com uma “maior concentração de pessoas”, já que a larga maioria aproveita a hora de saída do trabalho para fazer compras.

Por outro lado, o diretor-geral da APED denuncia que a proibição da venda de álcool a partir das 20h penaliza fortemente os distribuidores, bem como indústrias “fundamentais para a sustentabilidade do país e para a agricultura”, como é o caso da indústria do vinho e da cerveja. De acordo com as estimativas da associação, se o Executivo mantiver esta medida até meados de novembro, as perdas globais, para estes setores, rondarão “os 15 milhões de euros”, revela Gonçalo Lobo Xavier.

Portugal entrou em estado de contingência a 15 de setembro, como forma de travar a propagação do vírus SARS-CoV-2. O Governo justificou a decisão com base no arranque do ano letivo, que levou a uma maior circulação de pessoas nas ruas, e no aumento de casos de infeção por Covid-19. Mas isso significou novas regras para os portugueses, entre as quais a proibição de venda de bebidas alcoólicas nos estabelecimentos comerciais, a partir das 20h.

A limitação não era, de todo, desconhecida para os portugueses, já que esteve em vigor na Área Metropolitana de Lisboa, durante o período de verão. E, se, para o responsável da associação que representa o retalho alimentar e não alimentar, a medida nessa altura tinha sentido já que pretendia desincentivar os encontros sociais dos jovens em locais públicos, principalmente porque estavam de férias, agora revelou-se “completamente ineficaz e contrária aos objetivos da saúde pública”. Estamos em outubro, os jovens já não estão de férias e já não há esse tipo de encontros e de concretização nas cidades, muito menos fora da grande Lisboa“, adianta Gonçalo Lobo Xavier.

“Risco num bar não pode ser comparado ao risco numa loja”

Mas esta não é a única crítica feita pelo diretor-geral da APED, quanto às medidas tomadas pelo Executivo socialista. O responsável também se manifesta “absolutamente” contra a limitação de cinco pessoas por cada 100 metros quadrados nos espaços comerciais. “O que estamos a assistir é as lojas praticamente vazias e vemos filas de pessoas à porta que querem entrar e que têm de esperar que o rácio seja cumprido“, denuncia.

Para demonstrar a incoerência da medida, Gonçalo Lobo Xavier compara o rácio de pessoas permitido nas lojas portuguesas com a realidade praticada noutros países, que, ainda que tenham uma população superior à portuguesa, têm batido sucessivos recordes diários de novas infeções. “Em Espanha, em que há um foco de número de contágios muito maior, é o dobro. Os franceses lançaram um conjunto de medidas mais restritivas e, enquanto nós [Portugal], temos cinco pessoas por 100 metros quadrados, eles têm 25″, lamenta.

Nesse sentido, a APED pede ao Governo uma reavaliação do número de clientes permitido por loja, adiantando que estava com “esperança” de que a imposição tivesse sido alterada no último Conselho de Ministros, relativo às questões da pandemia. “Sabemos, aliás, que isso esteve em cima da mesa no último Conselho de Ministros, mas não houve vontade política para o fazer, embora não haja nenhuma razão de saúde pública para não o fazer“, refere.

Gonçalo Lobo Xavier acrescenta que o setor já ficava satisfeito se a mudança fosse “de cinco para oito pessoas por 100 metros quadrados”, reiterando que os dados científicos demonstram que os focos de infeção estão relacionados com “encontros sociais, em transportes públicos e, às vezes, em locais de trabalho em que a segurança foi relaxada” e não nos espaços comerciais. “Percebo que haja uma preocupação em diminuir o risco, mas um risco num bar não pode ser comparado ao risco numa loja”, atira.

Numa altura em que se aproxima o Natal, período bastante importante para os espaços comerciais, a APED apela, assim, a uma mudança de posição por parte do Governo e sublinha que é “preciso transmitir confiança” aos clientes, ao invés de “lançar medo, pânico, junto da população”. “Se queremos recupera o país, recuperar a economia e recuperar muitos destes negócios, não podemos, de facto, ter um critério diferente para áreas onde é fundamental manter os empregos e transmitir confiança aos consumidores“, conclui.

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