Intensidade carbónica da economia portuguesa cai 7,2% em 2018

Em 2018, Portugal emitiu 337 toneladas de CO2 equivalente por cada milhão de euros do PIB nacional, num total de 69 biliões de toneladas de CO2 equivalente só nesse ano. 

De acordo com os dados revelados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a intensidade carbónica da economia portuguesa diminuiu 7,2% em 2018 face ao ano anterior, para 337 toneladas de CO2 equivalente por cada milhão de euros do PIB nacional.

Em 2018, o PIB de Portugal saldou-se em 204,3 mil milhões de euros, o que equivale a uma intensidade carbónica de 69 biliões de toneladas de CO2 equivalente só nesse ano.

Já a nível global, o Potencial de Aquecimento Global diminuiu 4,5% em 2018, apesar do crescimento de 2,7% da atividade económica. Estes são os principais resultados das Contas das Emissões Atmosférica 1995-2008, agora divulgadas.

Olhando mais em pormenor para a intensidade das emissões por ramo de atividade, em 2018 registou-se uma redução de 18,4% na energia, água e saneamento, face a 2017, mas este setor continua a ser o que mais polui em Portugal. Segue-se a agricultura, silvicultura e pesca, a indústria, os transportes, informação e comunicação e a construção.

A intensidade carbónica da economia quantifica a relação entre as emissões do Potencial de Aquecimento Global necessárias para a obtenção de todos os bens e serviços produzidos.

Além do Potencial de Aquecimento Global ter caído 4,5%, também os outros indicadores ambientais apresentaram decréscimos, refere o INE, tais como o Potencial de Acidificação (-2,4%) e o Potencial de Formação de Ozono Troposférico (-1,6%). Ao mesmo tempo, e em sentido contrário, a atividade económica (medida pelo Valor Acrescentado Bruto) cresceu 2,7%, em termos reais. Ou seja, é possível existir crescimento económico e travar o potencial de aquecimento global, como mostram estes dados.

“Registou-se, assim, uma redução do impacto ambiental com o crescimento económico, contrariamente ao que tinha sucedido em 2017”, conclui o INE, esclarecendo que o Potencial de Aquecimento Global é calculado através da combinação dos gases que mais contribuem para o aquecimento global: dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O),
metano (CH4), hidrofluorocarbonetos (HFC), perfluorocarbonetos (PFC) e hexafluoreto de enxofre (SF6).

Revelam as Contas das Emissões Atmosférica que este indicador atingiu 66,9 milhões de toneladas de equivalente de CO2 em 2018. Nesse ano, as emissões para a atmosfera de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano diminuíram 6,0%, 0,8% e 0,5%, respetivamente, face a 2017. Já as emissões de outros gases aumentaram 4,4%.

No entanto, apesar da diminuição verificada em 2018, o Potencial de Aquecimento Global “ainda se encontra acima dos valores observados em 2013-2014”, reforça o INE. Desde 1999, o ramo de atividade económica que mais contribui para este indicador é o da energia, água e saneamento (32,2% em 2018). Ainda assim, foi também o setor que mais reduziu as suas emissões (-11,4%).

Olhando para cada tipo de gás poluente, os ramos da energia, água e saneamento e da indústria são os que mais emitem CO2 (16,8 milhões e 14,6 milhões de toneladas, respetivamente), representando no seu conjunto 61,3% do total das emissões de CO2 para a atmosfera.

Agricultura, silvicultura e pesca emitiram as maiores quantidades de metano e óxido nitroso, 75,9% e 48,1% dos respetivos totais.

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