BPI agrava “onda” de comissões. Manutenção de conta dispara 30%

O banco vai agravar um leque de comissões a partir de janeiro. É o caso da manutenção de conta cujos encargos chegam a disparar perto de 30%, mas subidas também chegam à conta à ordem e aos cartões.

É cliente do BPI? Então prepare-se porque o banco vai agravar um vasto leque de comissões bancárias. As mexidas ocorrem em diferentes produtos e serviços disponibilizados pelo banco, mas vão afetar sobretudo alguns dos que são considerados mais básicos. É o caso da manutenção de conta cujos encargos chegam a disparar perto de 30% no início do próximo ano. Mas as subidas também chegam à conta à ordem tradicional e aos cartões de débito, por exemplo.

As alterações ao preçário do BPI foram publicadas no site do banco no início deste mês de outubro para se aplicarem a partir de 1 de janeiro. No que diz respeito aos particulares, constata-se que o maior agravamento dos encargos ocorre para os clientes com conta pacote da instituição liderada por Pedro Oliveira e Costa: a Conta Valor BPI. A mensalidade desta conta que inclui um conjunto de produtos e serviços por um preço único é atualmente de 3,64 euros para quem tenha o ordenado domiciliado ou de 7,8 euros nas restantes situações.

Com o preçário que entre em vigor no início do próximo ano, quem tenha o ordenado domiciliado no BPI vai ver a respetiva mensalidade pela manutenção de conta aumentar para 4,68 euros. Trata-se assim de um agravamento de 28,6% nos encargos mensais, com o valor a aproximar-se mais do exigido a quem não tenha o ordenado domiciliado, apesar de este também encarecer, mas menos. Neste caso, a subida será de 6,5%, com o valor da mensalidade a elevar-se para 8,31 euros.

Assumindo essas alterações, ao fim de um ano a fatura a pagar pelos clientes com a Conta Valor BPI passa a ser de 54 euros ou 99,72 euros, respetivamente, consoante se tratem de contas com domiciliação de ordenado ou nos restantes casos. Ou seja, os encargos anuais sobem 10,32 euros ou 6,12 euros.

Confrontado pelo ECO a propósito deste aumento, o banco explicou que “não efetua qualquer alteração no preço da Conta Valor desde a sua criação, em 2017“, adiantando ainda que “este ajuste previsto para 2021 mantém a Conta Valor com o preço mais competitivo do mercado para contas pacote com este nível de produtos integrados (2 cartões de débito, 2 cartões de crédito, transferências, cheques, transferências MB Way isentas na BPI App e App MB Way, facilidade de descoberto)”.

Contudo, se o objetivo do cliente for aderir à conta pacote mais barata independentemente do leque de produtos abrangidos, o cenário já não será assim. Com esta subida nos encargos da conta pacote, o BPI distancia-se dos valores exigidos pelo Novo Banco e pela Caixa Geral de Depósitos que, entre os cinco principais bancos nacionais, são os que apresentam as contas pacote mais básicas com os encargos mais baixos.

"O Banco não efetua qualquer alteração no preço da Conta Valor desde a sua criação, em 2017. Este ajuste previsto para 2021 mantém a Conta Valor com o preço mais competitivo do mercado para contas pacote com este nível de produtos integrados (2 cartões de débito, 2 cartões de crédito, transferências, cheques, transferências MBWay isentas na BPI App e App MBWay, facilidade de descoberto).”

BPI

No caso do Novo Banco, a Conta NB 100% tem um custo mensal de 2,86 ou 5,72 euros, em função da domiciliação ou não do ordenado. Já na CGD, a conta Caixa S tem um custo mensal de manutenção de 3,33 euros ou 5,15 euros, prevendo o mesmo cenário. Já o BCP cobra mensalidades de 4,68 euros, 6,24 euros ou 8,32 euros na sua Conta Cliente Frequente. Por sua vez, o Santander cobra 5,72 ou 6,76 euros pela mensalidade da Conta Mundo 123.

A Conta pacote do banco destinada a clientes premium do BPI — a Conta BPI Premier — vai também sofrer as mesmas mexidas e para os mesmos valores que as alterações de encargos da Conta BPI Valor.

Subidas também chegam à conta à ordem e aos cartões de débito

Mas as alterações não se ficam por aí. Contratar separadamente os produtos mais básicos do banco também vai ficar mais caro em alguns casos. Uma conta à ordem tradicional no BPI cujo valor trimestral atual é de 15,6 euros vai ficar 8,3% mais cara, passando a ser cobrados 16,9 euros a partir de janeiro. E caso o cliente pretenda alterar os intervenientes da conta bancária também vai passar a pagar mais. Cada pedido custa atualmente 6,24 euros e vai passar a custar 7,8 euros (+25%).

Já o cartão de débito BPI Electron sofre um aumento de 11,1% no custo da sua disponibilização, com a anuidade a passar dos atuais 18,72 euros para 20,8 euros. As mesmas alterações também se vão aplicar ao cartão de débito BPI Electron Puro Online.

Para além destas alterações, o novo preçário a aplicar pelo BPI aos clientes particulares a partir de janeiro prevê um conjunto de outras mexidas que agravam custos em serviços mais específicos como os depósitos de moedas ao balcão. Ou no caso também das transferências a crédito internacionais não SEPA +, de algumas operações com o estrangeiro e de comissões de cobrança para efeitos comerciais.

Confrontado com este alargado leque de subidas de comissões, o BPI reforçou que “tem um dos preçários mais competitivos e atrativos do mercado e vai continuar a ter”, dizendo ainda que “revê as condições do seu preçário uma vez por ano, ajustando a sua oferta às condições do mercado”.

Alterações da legislação das comissões já refletida

Novidade no preçário do banco será ainda a incorporação das alterações impostas pelas recentes mexidas na legislação das comissões. Estas preveem, nomeadamente, que os bancos deixem de cobrar pela emissão de declarações de dívida no caso do crédito à habitação para o cumprimento de obrigações para acesso a apoios ou prestações sociais e serviços públicos, mas também limites na cobrança pelas operações MB Way.

Neste último caso, o BPI isentará as transferências aos clientes que tenham as diferentes Contas Valor. Nas restantes situações, passam a aplicar-se isenções até 30 euros por transferência ou até 25 transferências no período de um mês ou até 150 euros transferidos no período de um mês. Acima desses limites passam a cobrar 0,2% e 0,3% do valor da transferência, consoante se tratem de operações feitas com cartão de débito ou crédito, respetivamente.

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