Guterres convicto que “estamos num momento de refundação” das instituições mundiais

  • Lusa
  • 17 Outubro 2020

"Estou convicto de que, 75 anos após a fundação das Nações Unidas, estamos num momento de refundação", afirma António Guterres.

Mais de sete décadas após a criação da ONU, o secretário-geral António Guterres diz estar convicto que as instituições multilaterais mundiais estão “num momento de refundação”, apontando a necessidade de renovar “alicerces” perante as exigências dos tempos atuais.

“Estou convicto de que, 75 anos após a fundação das Nações Unidas, estamos num momento de refundação. Necessitamos examinar alguns dos alicerces em que assentam as nossas sociedades e instituições mundiais e renová-los, para que sejam adequados ao nosso tempo”, afirmou o secretário-geral em declarações, por escrito, à agência Lusa.

O ex-primeiro-ministro português e ex-Alto Comissário para os Refugiados respondeu à Lusa poucos dias depois de terem passado quatro anos da sua aclamação pela Assembleia-geral da ONU para o cargo de secretário-geral daquela organização, a 13 de outubro de 2016.

António Guterres defendeu que as instituições multilaterais precisam de ser atualizadas, incluindo a própria Organização das Nações Unidas (ONU), de modo a que representem de forma mais equitativa a população mundial. “Em vez de conferirem um poder desproporcional a alguns, limitando a voz de outros, em particular no mundo em desenvolvimento”, sustentou, sem fazer referências específicas.

Para o ex-primeiro-ministro português, as recentes crises vieram demonstrar que o mundo precisa de “mais e melhor multilateralismo”, o que significa “um multilateralismo que funcione de maneira eficaz e que traga resultados às pessoas que visa servir”. “Precisamos, urgentemente, de instituições multilaterais que, estando assentes num consentimento global, possam agir de forma decisiva na promoção do bem comum. (…) Instituições multilaterais que sejam justas, com uma representação acrescida do mundo em desenvolvimento, de modo a que todos possam fazer ouvir a sua voz”, reforçou.

É neste sentido que o representante sustenta que as Nações Unidas, “um fórum indispensável para um multilateralismo renovado e reformulado”, e os valores da Carta fundadora da organização septuagenária têm um papel importante a desempenhar.

“É evidente que os governos já não são os únicos atores na esfera internacional. Precisamos de um multilateralismo inclusivo que dê oportunidade a outras vozes, do setor privado à sociedade civil e, em particular, aos jovens. As Nações Unidas são a única instituição onde todas as pessoas do mundo estão representadas e têm voz”, defendeu.

Em funções há quase quatro anos, o secretário-geral da ONU destacou que promoveu “uma ambiciosa agenda de reforma interna”, desde a manutenção da paz até ao sistema de desenvolvimento das Nações Unidas, no sentido de adequar “a organização ao século XXI” e “responder melhor às necessidades das pessoas e dos governos em todo o mundo”.

“Continuaremos a aperfeiçoar e a fortalecer essas reformas”, referiu o representante, indicando, contudo, que a reforma de instituições com a dimensão e complexidade das Nações Unidas “nunca está completa”.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Guterres convicto que “estamos num momento de refundação” das instituições mundiais

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião