Hotelaria quer ficar de fora da proibição de circulação entre concelhos

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) pressiona o Governo para que a proibição de deslocações entre concelhos entre 30 de outubro e 3 de novembro exclua quem tem reservas em hotéis.

No fim de semana do Dia de Todos os Santos, e mais uns dias, o Governo decidiu proibir a circulação entre concelhos, de modo a evitar mais contágios. A medida foi aplaudida por algumas empresas dos concelhos mais afetados, mas não agrada, de todo, ao setor hoteleiro. Preocupada com as reservas para esses dias, a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) pressiona o Governo para que excluídos dessa proibição fiquem os turistas que já tenham estadias marcadas nos estabelecimentos hoteleiros nacionais.

“É necessário acautelar que as poucas reservas efetuadas para esse período [entre 30 de outubro e 3 de novembro] possam ser concretizadas, permitindo aos hóspedes deslocarem-se dos seus concelhos de origem para aqueles onde os estabelecimentos se localizem”, começa por dizer o presidente da associação, citado em comunicado. Vários hotéis “sinalizaram a imensa perturbação e cancelamentos que a proibição anunciada, mas ainda não publicada, gerou nas reservas previstas de pequenos grupos, nacionais e estrangeiros, junto de alguns estabelecimentos”.

Assim, Raul Martins defende que “será necessário garantir que estas deslocações possam ser asseguradas, com o comprovativo de reserva nos hotéis, em data prévia ao anúncio da medida“, assegurando, ao mesmo tempo, que os estabelecimentos cumprem todas as regras da Direção-Geral de Saúde (DGS) e do Governo. “Existirá um geral cumprimento das regras de não deslocações inter-concelhos senão para esse fim de alojamento”.

O responsável da AHP diz que estas preocupações já foram transmitidas à secretária de Estado do Turismo, esperando, agora, que do Conselho de Ministros resulte a exceção da proibição das deslocações que tenham em vista o alojamento em empreendimentos turísticos no período em questão.

“Depois de termos concluído que estamos a enfrentar uma previsível quebra de dormidas neste ano que pode chegar a 46,6 milhões, e a uma perda de receita da ordem de 3,6 mil milhões de euros, seria uma inconsciência não segurar as poucas oportunidades que ainda temos”, nota Raul Martins, afirmando que o setor é o “primeiro interessado” em garantir que se controla a evolução da pandemia, sendo que “tal não se pode fazer com o sacrifício cego das poucas unidades hoteleiras e trabalhadores que lutam por manter as portas abertas”.

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