Bares e discotecas que mudaram de atividade têm quebras de 75% na faturação

Os bares e discotecas que mudaram de atividade, funcionando como pastelarias e cafés, estão com quebras de 75% na faturação. Associação que representa a diversão noturna diz que o setor está em risco.

Três meses depois de o Governo ter permitido que os bares e discotecas pudessem reabrir “enquanto pastelarias ou cafés”, a Associação Portuguesa de Bares, Discotecas e Animadores alerta que o setor está em risco de desaparecer, referindo que as empresas que tentaram reinventar-se estão com quebras de faturação “na ordem dos 75%”. Por isso, pedem medidas específicas para a diversão noturna.

“A maioria das empresas foi apanhada desprevenida e não teve tempo para preparar o seu ajustamento a uma nova realidade. Neste momento, só conseguem sobreviver as empresas que tinham alguns capitais de reserva ou aquelas cujos sócios tenham capitais para injetar”, afirma Hugo Cardoso, representante da Associação Portuguesa de Bares, Discotecas e Animadores, em declarações ao ECO.

No final de julho, o Executivo permitiu que os espaços de diversão noturna pudessem voltar a reabrir portas, desde que funcionassem como “pastelarias ou cafés”, com o intuito de estes estabelecimentos gerarem algumas receitas com outras atividades, numa altura em que a respetiva atividade principal está totalmente vedada por causa do novo coronavírus. As regras eram claras: estes espaços não teriam de alterar a classificação de atividade económica, “se cumpridas as regras da DGS e os espaços destinados a dança” permanecessem “inutilizáveis para o efeito”, sinalizava o comunicado do Conselho de Ministros, aquando do anúncio.

Contudo, segundo o responsável da associação, “a maioria das empresas ainda não conseguiu reabrir” e aquelas que decidiram “reinventar-se”, funcionando como pastelarias e cafés, estão com “quebras na ordem dos 75%”, o que “se torna insustentável”, argumenta. Hugo Cardoso explica que a afluência de clientes “tem sido pouca”, até pelas “restrições ao número de pessoas que cada espaço pode comportar”. Atualmente, cada estabelecimento comercial tem uma limitação de cinco pessoas por cada 100 metros quadrados, restrição já criticada também pelo diretor-geral da APED.

Neste contexto, o representante desta associação sublinha que mesmo num cenário de contexto económico positivo já é “difícil começar um negócio”, mas o atual enquadramento de crise, provocado pela pandemia, veio acentuar as dificuldades. “Muitos dos espaços não têm condições para se transformarem, tanto a nível físico como económico”, adverte. Para sustentar os prejuízos, muitas empresas recorreram aos apoios lançados pelo Governo, como linhas de crédito, moratórias e lay-off.

Tanto os bares e discotecas que continuem encerrados por imposição legal, como aqueles que abram portas como “cafés ou pastelarias”, podem recorrer ao lay-off simplificado, regime extraordinário lançado em resposta à pandemia e que permite suspender os contratos de trabalho ou reduzir os horários dos trabalhadores, que recebem, pelo menos, dois terços do seu salário. Os empregadores recebem, também nesse âmbito, um apoio para o pagamento das remunerações.

O responsável diz, contudo, que grande parte dos empresários não tiveram “sucesso” na solicitação dos apoios, pela “burocracia no acesso às linhas de crédito”, mas também pelo facto de os apoios aos sócios gerentes e trabalhadores não serem “adequados às quebras abruptas de faturação”, lamenta.

Neste contexto, a Associação Portuguesa de Bares, Discotecas e Animadores considera que é “absolutamente necessário” o Executivo avançar com medidas específicas de apoio às empresas de diversão noturna, caso contrário está “em risco” de desaparecer, porque “são muitas as empresas que podem não voltar a abrir”.

Entre as várias soluções apresentadas por Hugo Cardoso estão a “suspensão de planos de planos de pagamentos fiscais, redução das taxas de IVA, isenção das TSU, incentivos a fundo perdido”, bem como “apoios para pagamento das rendas”. Além disso, o responsável dá ainda como exemplos medidas tomadas noutros países, como por exemplo a suspensão de determinadas obrigações fiscais. “Muitas empresas também optaram por continuar a pagar [estas obrigações fiscais] na esperança de que esta situação fosse mais breve. O que acontece é que à medida que o tempo passa, o capital de reserva acaba e as empresas vão acabar por fechar“, conclui.

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