Desconfinamento reduz teletrabalho, mas 681,9 mil portugueses trabalharam em casa durante o verão

O número de trabalhadores em trabalho remoto diminuiu no terceiro trimestre com o progressivo desconfinamento, depois de ter subido para um milhão no segundo trimestre.

Com o fim da obrigação de teletrabalho a partir de junho, o número de trabalhadores em trabalho remoto baixou no terceiro trimestre à medida que o país desconfinou. Ainda assim, havia 681,9 mil trabalhadores em teletrabalho, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados esta sexta-feira, o que compara com um milhão no segundo trimestre, período em que o teletrabalho era obrigatório.

Antes da pandemia, havia pouco mais de 100 mil trabalhadores em trabalho remoto, o que só por si já revelava um aumento significativo do teletrabalho nos últimos anos. Contudo, esta tendência acelerou de forma abrupta em março quando o teletrabalho se tornou obrigatório para as profissões que o possibilitam, alcançando um milhão e 94 mil pessoas (cerca de 23% da população empregada).

No terceiro trimestre, o teletrabalho deixou de ser obrigatório, mas mantiveram-se algumas restrições, sendo recomendado o trabalho em espelho com rotação de equipas. O número de teletrabalhadores baixou em 412,5 mil pessoas, uma queda de 37,7% face ao segundo trimestre. Ainda assim, continuaram em trabalho remoto 681,9 mil pessoas, o que representa 14,2% da população empregada.

Deste universo 79,1% indicou que a razão principal para ter trabalhado em casa se deveu à pandemia Covid-19. E a maior parte (94,5%) usou as tecnologias de informação e comunicação, como o computador e a internet, para exercer o seu trabalho à distância.

“À semelhança do observado no trimestre anterior, não se verificaram grandes diferenças no número médio de horas semanais trabalhadas entre os que o fizeram a partir de casa (37 horas) e os que trabalharam fora de casa (38 horas) (valores excluindo a população empregada ausente)”, nota o gabinete de estatísticas.

Tal como sugerem os estudos sobre o teletrabalho, é nas grandes cidades que existe maior potencial de trabalho remoto e os dados do INE confirmam essa tendência: a Área Metropolitana de Lisboa foi a região com a maior proporção (26,6%) de trabalhadores em teletrabalho, apesar de ter diminuído 9,4 pontos percentuais.

Outra das indicações dos estudos é que há mais potencial de teletrabalho nos trabalhadores com melhores qualificações pela natureza dos seus trabalhos e os dados do INE também o confirmam: a proporção de trabalho remoto é superior entre aqueles com um nível equivalente ao ensino superior (33%) e nos que trabalham no setor dos serviços (17,5%).

A educação continuou no terceiro trimestre a ser a atividade com maior percentagem de trabalho em casa. Tal é explicado pelo encerramento quase total das escolas, o qual só foi revertido parcialmente para o ensino secundário quando se aproximavam os exames nacionais. Além da educação, os especialistas das atividades intelectuais e científicas também registaram uma percentagem de teletrabalho elevada.

E se no segundo trimestre a maior parte dos teletrabalhadores era mulher, essa diferença esbateu-se no terceiro trimestre, não existindo “diferenças significativas” entre mulheres e homens no teletrabalho do terceiro trimestre.

Com base nestes dados do INE, é possível traçar o perfil do teletrabalhador: “52,6% eram mulheres, 54,8% residiam na Área Metropolitana de Lisboa, 75,3% tinham ensino superior, 92,8% eram trabalhadores por conta de outrem, 67,1% eram especialistas das atividades intelectuais e científicas e 28,6% dos que trabalhavam no setor terciário (87,6% do total) trabalhavam na área da educação”.

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