Pandemia parou mais de 1.600 “Ubers” e táxis

Entre janeiro e setembro, mais de 1.600 entidades singulares e coletivas suspenderam a atividade de transporte em automóvel ligeiro, ou já foram totalmente liquidadas, mostram dados do Fisco.

Mais de 1.600 pessoas singulares e coletivas, principalmente “Ubers” e táxis, deixaram de operar no mercado do transporte de passageiros em automóvel ligeiro entre março e setembro, suspendendo o negócio ou avançando para liquidação, num período que foi fortemente marcado pela pandemia. A conclusão resulta dos dados cedidos ao ECO pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT).

Nesses seis meses de crise pandémica, em que Portugal foi obrigado a confinar, 477 empresas com o CAE referente ao negócio de “Uber” e táxi entraram em liquidação e cessaram em IVA, para deixarem de ter de apresentar as declarações periódicas, ou suspenderam a atividade para posterior retoma. O número é cinco vezes superior às 88 que se registaram em período idêntico de 2019.

Há ainda registo de outras 1.148 entidades singulares e coletivas que foram já efetivamente dissolvidas e liquidadas. Um valor que representa um aumento face às 723 entidades registadas nos seis meses homólogos, de 1 de março a 28 de setembro.

Estes registos do Fisco ajudam a pintar o cenário negro pelo qual passou o negócio das plataformas eletrónicas e o dos táxis. Sem passageiros para transportar, algumas viram as receitas afundar 90% em pleno confinamento, como admitiu à Lusa, na semana passada, o diretor-geral da Bolt, David Ferreira da Silva. O negócio, entretanto, está a recuperar.

O ECO também já noticiou que a receita do Estado com a contribuição sobre essas empresas derrapou 71% no segundo trimestre, sugerindo uma quebra do mercado de igual dimensão. Entre abril e junho, entraram somente 181 mil euros nos cofres públicos por essa via, contra 622,5 mil euros nos mesmos três meses do ano passado.

E se, por um lado, a pandemia precipitou a falência de muitas empresas, por outro, a crise também travou a iniciação desta atividade. De 1 de março a 28 de setembro de 2020, iniciaram atividade com o referido CAE 1.432 entidades. Foram quase menos 5.600 entidades singulares e coletivas a iniciarem atividade, ou uma queda de perto de 80%.

O CAE (Classificação Portuguesa das Atividades Económicas) com o número 49320, que é tido para efeitos dos dados da AT, é amplamente usado por empresas com frotas ao serviço de plataformas como Uber, Bolt e Free Now, mas também de táxis tradicionais.

“Compreende o transporte não regular de passageiros em veículos automóveis ligeiros (em regime de aluguer), com ou sem taxímetro, segundo itinerários, horários e preços a negociar caso a caso” e “inclui aluguer com condutor”, de acordo com a definição formal. Exclui alugueres de viaturas sem condutores, atividades funerárias ou atividades de ambulâncias.

Estes dados são conhecidos no dia em que a Fectrans prevê realizar, a partir das 15h00, uma concentração de trabalhadores deste setor, com a intenção de distribuir por várias entidades um caderno de reivindicações. O objetivo é lutar contra a “desregulamentação” e contra a “autoridade total” das plataformas em “prejuízo” dos trabalhadores.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Pandemia parou mais de 1.600 “Ubers” e táxis

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião