Bancos já têm “short list” com três fundos para venderem 4.400 casas

Albatross, Cerberus e Tikehau estão na "short list" para comprar o "Projeto Zip", uma carteira de 4.400 casas que vários bancos nacionais, através de fundos de investimento, puseram à venda em julho.

Albatross, Cerberus e Tikehau foram os fundos selecionados para apresentarem propostas vinculativas para a compra do “Projeto Zip”, uma carteira de cerca de 4.400 casas, no valor de 360 milhões de euros, que vários bancos nacionais, através de fundos de investimento, colocaram à venda em julho, de acordo com as informações recolhidas pelo ECO.

São ao todo 4.435 frações de habitação que estão para venda, sendo que a maioria destas casas se encontram já arrendadas, estando localizadas sobretudo nos centros urbanos do Porto, Setúbal e Lisboa, o que valoriza esta carteira.

A fase de apresentação de propostas não vinculativas terminou em meados de setembro. Porém, entre os fundos que participaram no processo, só estes três passaram agora à fase de ofertas vinculativas. Posteriormente, será escolhido um vencedor que passará à última fase de negociações para conclusão da operação.

Tal como o ECO já tinha avançado, os imóveis do “Projeto ZIP” estão “parqueados” em fundos de investimento imobiliário para arrendamento habitacional (FIIAH) detidos pelas principais instituições financeiras portuguesas, através de unidades de participação, nomeadamente pelo Novo Banco (quem detém as maiores participações nos fundos), a Caixa Geral de Depósitos, Montepio, BCP e Santander Totta, cabendo a gestão à Norfin, que não respondeu a questões colocadas pelo ECO.

Há oito anos, vários bancos fizeram parte de um projeto do Governo de Passos Coelho designado “mercado social de arrendamento”, criado no sentido de resolver o problema da habitação no país num período de crise. Para tal, foram colocando centenas de imóveis nos FIIAH para dinamizar o mercado de arrendamento, sendo que, em troca destes ativos imobiliários, receberam unidades de participação dos fundos. Agora, com a venda dos ativos, o dinheiro pago pelo investidor para ficar com a carteira será distribuído pelos participantes dos fundos em função das suas participações.

A carteira, avaliada em cerca de 360 milhões de euros, tem na sua maioria frações localizadas na região do Porto (1.000 casas), Setúbal (870 casas) e Lisboa (740 casas). Nestas três regiões, o valor dos ativos supera os 200 milhões de euros, mais de metade da carteira.

De acordo com os relatórios dos fundos Solução Arrendamento e Arrendamento Mais, onde se encontram estes imóveis e que são geridos pela Norfin, mais de 4.000 imóveis encontravam-se arrendados no final de 2019, sendo que os outros imóveis ou estavam por arrendar ou encontravam-se devolutos.

É possível conferir as listas de imóveis à venda aqui e aqui (links para documentos divulgados na CMVM com o formato .pdf).

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