Há oito fundos atrás das carteiras de malparado do BCP

Banco tem duas carteiras de ativos problemáticos no mercado no valor de 750 milhões de euros. Não faltam fundos interessados. Miguel Maya disse que tomará decisão numa "lógica de custo/benefício".

Há oitos fundos que manifestaram interesse nas carteiras de malparado que o BCP tem no mercado, no valor global de 750 milhões de euros, segundo adiantou fonte do mercado ao ECO.

Bain, Davidson Kempner, Arrow, Cerberus, CRC, Fortress, Bracebridge e Elliott apresentaram propostas não vinculativas para ficar com o Projeto Webb (300 milhões) e o Projeto Ellis (450 milhões), sendo que o banco liderado por Miguel Maya estará prestes a decidir quem passa para a fase seguinte. Questionado pelo ECO, o banco não quis comentar o processo.

Alguns destes fundos são bem conhecidos do mercado nacional, como a Davidson Kempner e a Cerberus, duas entidades que compraram carteiras de ativos ao Novo Banco nos últimos anos — Nata 2 e Sertorius, respetivamente –, duas operações que vieram a revelar-se polémicas ao lançarem alguma suspeição em torno da gestão por parte do banco de António Ramalho.

Das duas carteiras no mercado, o BCP tem boas perspetivas de fechar o processo em relação a uma delas ainda este ano, pelo menos, segundo adiantou Miguel Maya, CEO do banco, na apresentação de resultados. Acrescentou ainda que a tomada de decisão terá sempre por base uma “lógica de custo/benefício” e que o banco quer preservar capital nestes processos, num sinal de que não venderá as carteiras qualquer preço.

“Para nós era muito importante estar no mercado. Não sei se vamos concluir ou não a venda das duas carteiras. Estamos razoavelmente otimistas em que pelo menos uma carteira se poderá fazer em 2020. Mas é muito cedo para se tirar conclusões“, disse o CEO do banco há cerca de uma semana.

Para nós era muito importante estar no mercado. Não sei se vamos concluir ou não a venda das duas carteiras. Estamos razoavelmente otimistas em que pelo menos uma carteira se poderá fazer em 2020. Mas é muito cedo para se tirar conclusões.

Miguel Maya

CEO do BCP

“Disputa” com o Novo Banco

Em relação ao Projeto Webb, no valor de 300 milhões, trata-se de um portefólio composto por créditos em situação de incumprimento. Fonte do mercado adiantou que é uma carteira mais tradicional, granular, e que é mais fácil de analisar e estipular um preço. Quanto ao Projeto Ellis, no valor de 450 milhões, a mesma fonte revelou que se trata de uma carteira mais complexa, pois inclui single names e ainda imobiliário, o que torna mais difícil a avaliação de um preço.

Este ano, o BCP já vendeu ativos não produtivos na ordem dos 485 milhões de euros. O banco chegou a setembro com um rácio de malparado a 90 dias nos 3,5% e um rácio de NPE (non performing exposure) de crédito de 6,5%.

Além do BCP, também o Novo Banco tem no mercado uma carteira de malparado (Projeto Carter) no valor de 100 milhões de euros e deverá avançar com outro processo até final do ano no valor de 200 milhões. António Ramalho lamentou ter chegado ao mercado um “bocadinho atrasado” porque deixa o BCP em vantagem. “Tirará seguramente benefício de ter mais investidores à procura da tipologia de créditos que também estou a vende”, disse o CEO do Novo Banco

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