Novo Banco vende carteira de 3,3 mil milhões de euros de créditos mediáticos à Davidson Kempner

Banco liderado por António Ramalho fechará esta semana a venda da carteira "Nata 2", que inclui créditos da Ongoing, Joaquim Oliveira e Moniz da Maia, à Davidson Kempner.

O Novo Banco prepara-se para vender uma carteira de malparado com o valor bruto de 3,3 mil milhões de euros ao fundo norte-americano Davidson Kempner.

A operação em torno do chamado “Projeto Nata 2″, que inclui grandes créditos mediáticos em situação de incumprimento como os da Ongoing, de Joaquim Oliveira ou de Moniz da Maia, deverá ficar concluída ainda esta semana, avança a agência Bloomberg.

Fonte próxima do processo confirmou ao ECO que a Davidson Kempner ganhou a corrida nos últimos dias, isto porque o banco chegou a estar em negociações exclusivas com o fundo Bain para a venda desta que é maior portefólio de NPL (non performing loans) que alguma vez esteve à venda em Portugal.

Não são adiantados valores do negócio, mas a revista Sábado dava conta em julho que a operação poderia ser feita com um “desconto” a chegar aos 90% do valor da carteira, o que reflete a fraca qualidade destes empréstimos cuja recuperação é muito difícil. Ou seja, as propostas em cima da mesa ascenderiam a cerca de 300 milhões de euros. Também se desconhece as imparidades que já tinham sido realizadas pelo Novo Banco para estes créditos. Mas se o negócio for realizado abaixo do valor líquido da carteira (já descontadas as imparidades), isto significará mais perdas para o banco e mais dinheiro que o Fundo de Resolução terá de injetar na instituição, ao abrigo do mecanismo de capital contingente.

O Novo Banco, detido a 75% pelo Lone Star e 25% pelo Fundo de Resolução, tem vindo a acelerar a venda de carteiras de malparado e outros ativos problemáticos e não estratégicos no âmbito do plano de reestruturação que terminará em 2021.

Recentemente, a instituição anunciou a venda de um portefólio de ativos imobiliários (Projeto Sertorius) no valor de 400 milhões de euros à Cerberus e ainda outro conjunto de ativos imobiliários e crédito não produtivo em Espanha (Projeto Albatroz) com o valor de 300 milhões à Waterfall.

De resto, parte dos prejuízos de 400 milhões de euros na primeira metade deste ano teve exatamente a ver com a alienação de carteiras de malparado e imobiliário, razão pela qual o banco prevê pedir mais 540 milhões ao Fundo de Resolução com base nos resultados semestrais.

Tudo isto acontece também porque as autoridades estão a exigir aos bancos europeus que reduzam o montante de créditos tóxicos nos seus balanços. No caso do Novo Banco, a situação é mais sensível tendo em conta que é o banco português com maior exposição a estes ativos tóxicos, o que o obriga a fazer um esforço mais considerável. De acordo com as últimas contas, o nível de malparado no Novo Banco era de 20,7% do total de empréstimos em junho.

Este valor compara com um rácio de malparado em todo o sistema português de 9,4% no final do ano passado.

Esta terça-feira, o Banco de Portugal atualizou a lista dos maiores devedores do Novo Banco. Eram 36 os grupos económicos com dívidas em incumprimento superiores a 43,3 milhões de euros a 31 de dezembro, os quais tinham causado uma perda de 4,15 mil milhões ao banco.

(Notícia atualizada às 15h03)

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