Trabalhadores do Novo Banco surpreendidos com mais 310 rescisões. Dizem que só falta cortar 84 postos de trabalho

Comissão de trabalhadores do Novo Banco diz que só faltam reduzir 84 postos no banco para atingir metas acordadas com Bruxelas e questiona por isso o "porquê" da autorização para cortar mais 310.

Os trabalhadores do Novo Banco estão surpreendidos com o facto de o Governo ter autorizado o banco a rescindir com mais 310 funcionários até final de 2021. Dizem que só falta reduzir 84 postos de trabalho na instituição para atingir as metas acordadas com Bruxelas e por isso questionam: “Porquê a autorização para reduzir 310? Porquê ir além dos objetivos?”

O semanário Expresso revelou este fim de semana que o Executivo deu luz verde ao Novo Banco para rescindir com mais trabalhadores do que legalmente permitido até final de 2021, ano em que termina o plano de reestruturação aprovado pela DG-Comp, a autoridade de concorrência europeia. Segundo a legislação, as empresas que tenham mais de 250 trabalhadores — o caso do Novo Banco — têm como limite máximo cessar contratos com 80 trabalhadores a cada três anos. Mas com a exceção dada pelo Ministério do Trabalho, o banco liderado por António Ramalho vai poder rescindir com mais de três centenas de funcionários.

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a comissão de trabalhadores do Novo Banco (CTNB) lamenta ter sido excluída deste processo, isto apesar de ter solicitado que lhe fosse dado conhecimento da evolução do dossiê. Até à presente data não obtivemos qualquer resposta, pelo que desmentimos e refutamos qualquer envolvência da Comissão de Trabalhadores neste processo“, diz a comissão coordenada por Rui Geraldes.

A CTNB lembra ainda que o plano negociado entre o Estado e a DG-Comp aponta para que o Grupo Novo Banco, e até 2021, tenha de reduzir os seus balcões em 75 — “objetivo já cumprido” — e reduzir o número de trabalhadores para 4.909. Assim, e considerando que “o Grupo Novo Banco encerrou o primeiro semestre do corrente ano com 4.993, pelo que faltarão reduzir 84 trabalhadores para atingir esse objetivo”, a comissão de trabalhadores levanta duas questões : Porquê autorização para reduzir 310? Porquê ir para além dos objetivos impostos?”

A comissão de trabalhadores do Novo Banco lembra ainda no comunicado que “tem sido um parceiro responsável no Novo Banco” e reafirma manter-se “disponível para dialogar e negociar condições condignas, privilegiando em primeiro lugar o processo de reformas antecipadas”. Ainda assim, assegura que ficará bastante atenta ao evoluir da situação laboral no banco, especialmente no que toca à nova autorização para cortar mais 310 postos de trabalho.

“Deixamos a nossa garantia de que iremos pugnar para que o processo decorra com transparência, sem pressões sobre os trabalhadores e que seja um processo de adesão voluntária”, indica a comissão de trabalhadores do Novo Banco.

O Novo Banco fechou o primeiro semestre com prejuízos de 400 milhões de euros, e prevê pedir ao Fundo de Resolução 540 milhões de euros no âmbito do mecanismo de capital contingente criado aquando da venda da instituição ao fundo norte-americano Lone Star.

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