Nova SBE lança agregador de informação da economia social

  • Lusa
  • 18 Novembro 2020

Objetivo é criar uma base de dados, uma plataforma, através de dados abertos que tenha informação desagregada por organização e que sirva as diferentes partes interessadas no setor social.

A Nova School of Business and Economics (Nova SBE) lança na quinta-feira a Base de Dados Social, uma plataforma aberta que pretende agregar todas as organizações da economia social portuguesas, com impacto para lá do setor social.

A base de dados resulta de um trabalho académico que partiu de “um grande desconhecimento” existente sobre o universo de organizações que integram “o ecossistema social comum”, algo evidente nas fontes dispersas e não exaustivas de informação sobre a economia social portuguesa, explicou à Lusa uma das investigadores responsáveis pela Base de Dados Social, Bruna Riboldi.

O panorama pré-existente era o de fontes de informação “com um fraco nível de interação e poucas possibilidades de pesquisa e de filtros” ou de cruzamento de dados, referiu.

“O objetivo é criar uma base de dados, uma plataforma, através de dados abertos que tenha informação desagregada por organização e que sirva as diferentes partes interessadas no setor. Para isso o que temos feito é utilizar técnicas de inteligência artificial para automatizar e robustecer a recolha de informação, mas também contar com a atualização constante das organizações sociais. Temos uma dupla estratégia de preenchimento dessa plataforma”, explicou Bruna Riboldi.

A plataforma, apresentada na quinta-feira, e que fica disponível nesse dia no endereço basededadossocial.pt, arranca já com cerca de 40% das organizações de economia social identificadas e presentes na base de dados.

“Idealmente”, pretende chegar a todo o setor social, o que inclui, para além das instituições sem fim lucrativos e abrangidas pela Lei de Bases da Economia Social, também as empresas sociais, uma categoria de organizações ainda não tipificada na lei portuguesa e em cuja definição e categorização os responsáveis por este projeto estão ainda a trabalhar, tendo por base legislação de outros países europeus.

“Podem fazer parte da base de dados social todas as organizações que estejam abrangidas pela Lei de Bases da Economia Social e temos também o desafio e a intenção de conseguir inserir as empresas sociais, que ainda não estão definidas na lei portuguesa, mas que vamos ter uma série de critérios que elas precisam preencher para se enquadrem enquanto empresas sociais”, disse Bruna Riboldi.

Empresas sociais são, numa definição muito simplificada, como caracterizou a investigadora da Nova SBE, aquelas que tendo fins lucrativos os reinvestem na totalidade ou quase na sua missão social.

Na plataforma ficam disponíveis dados como o tipo de instituição (associação, misericórdia, cooperativa, IPSS, empresa social, por exemplo), a sua localização, contactos, modelo de gestão com identificação de órgãos sociais, área de atuação e atividade desenvolvida, público-alvo, universo de beneficiários e utilizadores, recursos humanos, incluindo voluntários, financiamento e outras informações.

Alguma da recolha de informação já vertida para a nova plataforma assentou em inteligência artificial, trabalhando a partir de outras bases de dados públicas, explicou Bruna Riboldi, frisando que é também importante a colaboração e o preenchimento por parte das instituições, que são as principais interessadas nesta base de dados, ainda que os impactos se estendam para lá da organizações.

Se estas podem beneficiar da informação disponível para partilha e gestão de recursos, por exemplo, a plataforma pode também ser o ponto de partida para famílias e utentes encontrarem respostas sociais que necessitem, um ponto de informação para procura e divulgação de emprego e vagas de voluntariado, para financiadores apoiarem projetos e iniciativas. Também o Governo pode aqui recolher informação de apoio à tomada de decisão em políticas públicas.

“O setor social representa um setor importante da economia portuguesa. Em 2016, a Economia Social representou 3% do Valor Acrescentado Bruto da economia portuguesa, segundo dados da Conta Satélite para a Economia Social. No entanto, as poucas fontes de dados disponíveis fornecem informações insuficientes e agregadas, sem atualização constante, com difícil acesso e fraca usabilidade na maioria dos casos”, refere um comunicado da Nova SBE.

A Base de Dados Social integra-se na Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria da Nova SBE com a Fundação La Caixa e o BPI.

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