Pandemia acelera compras online. Têm maior aumento em 18 anos

Em 2020, o número de utilizadores do e-commerce teve o maior aumento em 18 anos, revela o INE. Pandemia fez "acelerar a utilização mais intensiva da internet".

Com o país mergulhado na pandemia, e dadas as restrições de circulação bem como o teletrabalho, a utilização da internet em casa aumentou e, consequentemente, há cada vez mais portugueses a optarem por fazer compras pela internet. Neste contexto, em Portugal aumentou significativamente o número de utilizadores do e-commerce, com o melhor registo em 18 anos, revelam os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Ainda assim, o país está abaixo da média da União Europeia.

A pandemia fez acelerar o e-commerce. “A percentagem de utilizadores de comércio eletrónico registou em 2020 o maior aumento da série iniciada em 2002”, um aumento de sete pontos percentuais face ao ano anterior, assinala o INE. Assim, este ano 44,5% dos inquiridos entre os 16 e os 74 anos garantem ter efetuado encomendas pela internet nos 12 meses anteriores ao inquérito, ao passo que 35,2% nos três meses anteriores.

Assim, segundo o gabinete de estatísticas, a quantidade de encomendas realizadas através do comércio eletrónico “aumentou significativamente”, com o grupo dos utilizadores que fizeram três a cinco encomendas a aumentar quatro pontos percentuais, os que fizeram seis a 10 encomendas aumentou 9,5 pontos percentuais e os que fizeram mais de 10 encomendas aumentou 6,9 pontos percentuais.

Utilização do comércio eletrónico por regiõesFonte: Instituto Nacional de Estatística

No entanto, no que diz respeito à utilização da internet para fazer compras, “Portugal mantém-se abaixo da média da União Europeia (em 2019, 49% da população europeia (EU-27) tinha efetuado encomendas nos três meses anteriores à entrevista). Por regiões do país, a Área Metropolitana de Lisboa “é a é a única região em que a proporção de pessoas a utilizar comércio eletrónico nos três meses anteriores à entrevista (41,6%) ultrapassa a média obtida para o conjunto do país (35,2%)”, ao passo que o Centro está muito próximo da média nacional, com “34,8% de utilizadores de comércio eletrónico”, conclui o gabinete de estatísticas.

Mais de oito em cada dez famílias têm acesso à internet em casa

O crescimento das compras online não é indissociável da crescente facilidade de acesso à internet em casa, sendo que este também registou um aumento expressivo com a pandemia. “Em 2020, 84,5% dos agregados familiares em Portugal têm ligação à internet em casa e 81,7% utilizam ligação através de banda larga, o que representa um aumento significativo, de mais 3,6 pontos percentuais, em relação ao ano anterior”, revela o INE. Se recuarmos a 2010, o crescimento é ainda mais significativo: “um aumento de mais de 30 pontos percentuais”, acrescenta.

Evolução da proporção de agregados familiares com internet em casaFonte: Instituto Nacional de Estatística

Segundo explica o gabinete de estatísticas, este crescimento deveu-se, em larga medida, ao impacto da pandemia de Covid-19, que dadas as restrições de circulação e com milhares de portugueses a trabalharem a partir de casa fez “acelerar a utilização mais intensiva da internet”. Neste contexto, o inquérito realizado entre 21 de abril e 31 de agosto, revela ainda “quase 80% da população residente dos 16 aos 74 anos” utilizou a internet em 2020, sendo que “79,5% referiu tê-lo feito nos 12 meses anteriores à entrevista e 78,3% nos três meses anteriores”. Ainda assim, a percentagem de utilizadores portugueses é inferior à média da União Europeia do ano anterior, que se encontra nos 86%, aponta o INE.

Entre os motivos mencionados para esta utilização, a maioria dos inquiridos que acedeu à internet nos três meses anteriores à entrevista fê-lo sobretudo para “comunicar e aceder a informação”. Ainda assim, o INE destaca ainda um grande aumento sobretudo nas atividades relacionadas com aprendizagem. Neste âmbito mais do que duplicou a percentagem de utilizadores que “comunicaram com professores ou colegas através de portais educativos“. Se no ano passado, representava 14,5% das utilizações, este ano chega já aos 30,8%. Também mais do que duplicou a percentagem de utilizadores que frequentam cursos online, com 18% dos portugueses inquiridos a fazê-lo, valor que contrasta com os 7,7% de 2019.

Numa análise mais fina, o gabinete de estatísticas revela que entre os utilizadores empregados, quase um terço (31,1%) exerceram a sua profissão em teletrabalho, sobretudo “na Área Metropolitana de Lisboa em que esta proporção foi 43,2%”. Ao mesmo tempo, para “29,6% dos internautas empregados, o trabalho em casa foi associado à pandemia”.

Já numa análise relativa às classes de rendimento, as famílias do “quintil mais elevado (20% dos agregados com maiores rendimentos) apresentam os maiores níveis de acesso à internet (96,8%) e à banda larga (94,5%)”, sublinha o INE. Em contrapartida, no “1.º quintil (20% com menores rendimentos), as proporções reduzem-se para 66,9% com acesso à internet em casa e 62,4% através de banda larga”, refere.

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