É histórico. Juros da dívida portuguesa a 10 anos tocam terreno negativo

Portugal regista pela primeira vez uma taxa de juro negativa no prazo a 10 anos. A "yield" da dívida portuguesa para esta maturidade voltou a deslizar, baixando de zero.

É histórico. Pela primeira vez, Portugal regista uma taxa de juro negativa no prazo a 10 anos. A yield da dívida portuguesa para esta maturidade voltou a deslizar, baixando de zero.

Segundo dados da Bloomberg, o preço das Obrigações do Tesouro a 10 anos atingiu um máximo de 104,707 durante a negociação desta quinta-feira, 26 de novembro. Este máximo atirou a taxa para um mínimo histórico de -0,001278%.

Há muito que os juros da dívida têm vindo a cair nos mercados internacionais, isto apesar do contexto macroeconómico adverso em resultado da crise provocada pela pandemia. A economia mergulhou numa forte recessão, o défice vai disparar e a dívida também.

Mesmo na maior da crise, os juros têm vindo a afundar. Ainda recentemente toda a dívida portuguesa passou a negociar nos mercados com taxas negativas até aos nove anos. Mas, agora, também as yields negativas chegam aos títulos considerados de referência, nomeadamente a maturidade de 10 anos. Assim, dos 148,3 mil milhões de euros em dívida de médio/longo prazo que Portugal tem a transacionar no mercado, três quartos estão com taxas abaixo de zero.

Este comportamento não é exclusivo de Portugal, mas tem tido impacto significativo na dívida portuguesa. É o reflexo da atuação do Banco Central Europeu (BCE) que, com a crise, avançou para um novo programa de compras de títulos soberanos como forma de ajudar os países do euro a responderem à pandemia.

O BCE lançou um mega programa de estímulos, em meados março, na forma de um programa de emergência pandémica (PEPP, na sigla em inglês) com 750 mil milhões de euros para comprar dívida pública e privada dos países da Zona Euro até ao fim do ano, tendo posteriormente reforçado o envelope para 1,35 biliões de euros.

Agora, com a segunda vaga da pandemia a voltar a obrigar a confinamentos em vários países europeus, colocando em causa a retoma da economia, os investidores estão a antecipar a possibilidade de Christine Lagarde vir a anunciar, já na próxima reunião, a 10 de dezembro, um reforço deste programa de compras de dívida pública. A perspetiva é que a “bazuca” possa aumentar em 500 mil milhões de euros.

(Notícia atualizada às 17h18 com mais informação)

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