Famílias reforçam depósitos nos bancos para 158,6 mil milhões

Dinheiro guardado no banco pelos portugueses voltou a aumentar em outubro: mais 500 milhões de euros. Pandemia atira poupanças para máximos.

Pelo segundo mês seguido, as famílias portuguesas reforçaram as poupanças nos bancos. Os depósitos nas instituições financeiras ascendiam a 158,6 mil milhões de euros no final de outubro, mais 500 milhões face ao mês anterior, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.

A pandemia trouxe uma nova dinâmica no comportamento financeiro dos portugueses. Com as medidas de restrição a travarem o consumo, 2020 trouxe um reforço das poupanças para níveis históricos. O mês de julho registou um máximo de sempre no dinheiro depositado nos bancos: 159,2 mil milhões. Em agosto, com as férias, o valor caiu, mas já retomou a tendência de subida em setembro e, agora, em outubro, aproximando-se de novo máximo.

“Os depósitos de particulares nos bancos residentes totalizavam 158,6 mil milhões de euros no final de outubro. A taxa de variação anual foi de 7,3%, valor 0,3 pp acima do registado em setembro”, indica o Banco de Portugal.

Fonte: Banco de Portugal

Do total de depósitos, 87,96 mil milhões de euros estavam em contas a prazo, um valor estável face ao mês anterior (foram menos 20 milhões em relação a setembro). O valor depositado a prazo corresponde a mais de 55% do total de depósitos dos particulares.

Isto significa que os portugueses voltaram a optar por deixar mais dinheiro à ordem. Foram mais 500 milhões face a setembro, com o total dos depósitos à ordem a ascender a 69,8 mil milhões de euros em outubro, aproximando-se do recorde de julho, acima dos 70 mil milhões.

Esta é uma tendência que tem vindo a acentuar-se nos últimos tempos em função do ambiente de juros baixos promovido pelo Banco Central Europeu (BCE) e quando a incerteza provocada pela pandemia pode exigir maior cautela na gestão financeira e com o dinheiro “na mão”.

Empréstimos aumentam

Os dados do Banco de Portugal revelam ainda que os bancos concederam mais dinheiro à economia, sendo que os empréstimos às empresas aumentaram de forma mais expressiva do que os empréstimos aos particulares para a compra de habitação.

“Em outubro de 2020, os empréstimos concedidos pelos bancos a sociedades não financeiras apresentaram uma taxa de variação anual de 8,2%”, diz a instituição. Destacou-se a evolução dos empréstimos às micro e às médias empresas, com taxas de variação de 15,2% e 5,1%, respetivamente.

Os empréstimos a particulares para habitação aumentaram 1,8%, uma desaceleração face ao mês anterior.

(Notícia atualizada às 12h41)

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