Sheraton: neste hotel também se (tele)trabalha

  • Mariana de Araújo Barbosa
  • 29 Novembro 2020

A hotelaria está a reinventar o negócio graças à pandemia: estúdios para eventos virtuais e espaços para teletrabalho são as apostas do Sheraton. E a inovação estende-se ao setor.

No estúdio, montado numa das salas de eventos do Sheraton Lisboa Hotel & Spa, as cadeiras estão vazias. Na sala ao lado, na régie, ultimam-se os preparativos as transmissões em direto das próximas horas. As cadeiras brancas, alinhadas, esperam pelos convidados e, atrás delas, um painel de luz em forma de “L” constrói o resto do cenário e projeta aquilo que o cliente quiser. Faz-se silêncio no estúdio.

O hotel de cinco estrelas – o primeiro do género a reabrir depois do confinamento obrigatório, a 1 de julho, decidiu, em parceria com a empresa de audiovisuais RXF, tratar de diversificar a oferta de serviços direcionados para as empresas, uma forma de inovar e, ao mesmo tempo, de fazer face aos constrangimentos de receita motivados pelo coronavírus. Para isso, montou, no primeiro piso da unidade hoteleira, o Sheraton Lisboa Studio, um espaço onde podem realizar-se eventos personalizados, através de uma experiência imersiva e que procura replicar um contexto presencial através de interação nos canais digitais.

“Temos um hotel de 1972, no centro da cidade, mas sentíamos que ainda não estava enquadrado dentro da comunidade. Iniciámos projetos nesse sentido no início do ano e este período do Covid reforçou a ideia de que esse é o posicionamento correto e primordial para os nossos valores e o nosso futuro. Tínhamos dois setores importantes a trabalhar: lazer e corporativo. Focámos no corporativo, sabíamos que era importante que as empresas continuassem a trabalhar e queríamos ser uma ferramenta importante nesse processo”, explica Thierry Henrot, diretor-geral do Sheraton Lisboa Hotel & Spa, em conversa com a Pessoas.

Na hora de montar a operação, trabalhar com a RXF, parceira do Sheraton nos últimos dez anos, facilitou o processo. “O estúdio já estava montado mas sentimos que agora era a altura certa para fazer qualquer coisa diferente porque os clientes precisavam de ter mais espaço – na realidade estão a ir a um estúdio que é um armazém -, e aqui tínhamos a possibilidade de oferecer mais serviço, porque tínhamos o apoio do Sheraton. A ideia foi jogar com a rapidez e termos o primeiro estúdio montado num hotel, e isso jogou a nosso favor”, assinala Pedro Ramos, CEO da empresa de audiovisuais.

São formatos cujo foco principal, dentro das restrições, é encontrar uma maneira de ser útil. A receita não é sempre a razão comercial.

Thierry Henrot

O novo serviço, cujo preço por meio dia ronda os 3.000 euros com tudo incluído, começou a ser comunicado em meados de outubro e, por enquanto, a procura tem assentado em clientes de congressos, sobretudo de laboratórios. “São talvez os que ainda têm calendários de atividades mais fixos durante o ano, e um pouco mais de orçamento do que outras empresas”, explica Thierry Henrot. No entanto, o Sheraton tem vindo a receber alguns pedidos de vários tipos de empresas de escalões diferentes, que procuram uma maneira diferente de comunicar com o seu público-alvo ou com os seus colaboradores. “A lógica é sempre estar mais próximo das pessoas sem elas estarem no escritório”, explica o diretor-geral do hotel.

Além de um espaço controlado e preparado para o efeito e, de forma personalizada, optar por fazer eventos online a partir do Sheraton permite usar ferramentas de medição de impacto que são incomparáveis face às tradicionais formas de medir assistência, garante Pedro Ramos. “Temos stands em formato virtual, é possível contactar com os delegados, e há uma série de funcionalidades para não impedir o networking, que se torna mais difícil de forma virtual. Fazê-lo traz todo um novo mundo na forma como medimos o impacto de um congresso, sobretudo de um ponto de vista de quem patrocina”.

Teletrabalhar com vista

Além de um estúdio para empresas, que permite a realização de eventos híbridos – com ou sem público – e o recurso a ferramentas simples como videochamadas até webinars, webcastings e conferências virtuais, o Sheraton Hotel & Spa está em plena transformação interna. O hotel lisboeta transformou 30 quartos da unidade hoteleira em espaços para teletrabalho e lança, em breve, a possibilidade de customização desses espaços por parte das empresas e dos trabalhadores. “Sentimos que precisamos de soluções a longo prazo, vamos ter subscrições mensais para ter a certeza que, além de um quarto preparado, o local do teletrabalho no hotel pode ser personalizado com o logo da empresa ou com objetos pessoais da pessoa que o usa. São formatos cujo foco principal, dentro das restrições, é encontrar uma maneira de ser útil. A receita não é sempre a razão comercial. Queremos principalmente estar junto com qualquer empresa, qualquer corporativo individual, e dizer que temos soluções para ajudar, e para sentirem que estamos aqui para apoiar o mundo neste meio que está difícil”, assinala o diretor-geral. Tudo porque, como explica Henrot, o grande desafio dos hoteleiros é a não-manifestação física dessa “paixão de acolher”. “A restrição de distância é sempre um grande desafio. Passar a paixão com esses dois metros de distância foi provavelmente um grande treino prático”.

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