OCDE prevê défice de 6,3% em 2021 e dívida pública não baixa

Ao contrário do que prevê o Governo, a OCDE antecipa uma pequena melhoria no défice no próximo ano e prevê um novo agravamento da dívida pública, a qual só desce (e pouco) em 2022.

Apesar de ter melhorado a previsão para 2020, a OCDE está pessimista quanto à capacidade de recuperação da economia portuguesa e o mesmo se aplica às contas públicas. A Organização prevê esta segunda-feira na atualização do Economic Outlook que o défice desça apenas um ponto percentual de 7,3% em 2020 para 6,3% em 2021 enquanto o Governo prevê uma descida para 4,3%.

Quanto à dívida pública, o rácio deve alcançar os 136,1% do PIB este ano e, ao contrário das previsões de outras instituições, voltar a subir em 2021 para os 139,7%. Só em 2022 é que baixa e apenas para os 138,8%.

Estas previsões contrastam bastante com as do Governo. O Executivo prevê um défice de 4,3% do PIB em 2021, ainda que o ministro das Finanças, João Leão, já tenha admitido que com as alterações feitas na especialidade o número deverá aproximar-se dos 5%. Ainda assim, fica longe dos 6,3% estimados pela OCDE.

Em 2022 ocorre a mesma diferença. A OCDE prevê um défice (-4,9%) superior a 3% — o limite definido pelas regras europeias aceites pelos Estados-membros — enquanto o Ministério das Finanças antecipa que o saldo orçamental fique dentro desse limite.

Na dívida pública a divergência é ainda mais expressiva com a Organização e o Governo a apontarem para trajetórias completamente diferentes. A OCDE vê o endividamento público a subir tanto em 2020 como em 2021, baixando apenas marginalmente em 2022. Já o Governo antecipa uma redução para 130,9% do PIB já no próximo ano, mantendo-se a trajetória de redução da dívida nos anos seguintes.

Ajuda deve manter-se até recuperação ser robusta

A Organização considera que o apoio orçamental neste momento é “significativo” tanto na ajuda aos trabalhadores como no reforço do setor da saúde. O aviso é que este terá de continuar.

A recomendação da OCDE para a política orçamental é que Portugal deve manter os apoios até que a retoma seja evidente: “Para evitar o descarrilamento da recuperação, o regresso à prudência orçamental deve acontecer apenas depois de a recuperação plenamente encaminhada“.

A ajudar esta tarefa está e estará a política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE) e o fundo de recuperação europeu (Próxima Geração UE), o qual deverá financiar despesa pública até 13,2 mil milhões de euros, o equivalente a 3,8% do PIB, nos próximos anos.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

OCDE prevê défice de 6,3% em 2021 e dívida pública não baixa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião