Coca-Cola investe 250 milhões de euros para ser neutra em carbono na Europa até 2040

Em Portugal, a empresa já investiu cerca de 1,55 milhões de euros em medidas de eficiência energética. Já em 2021, a fábrica de Azeitão vai atingir a meta de 50% de plástico reciclado nas embalagens.

A Coca-Cola European Partners (CCEP), o maior engarrafador independente da Coca-Cola do mundo (que tem uma divisão ibérica da qual Portugal faz parte) anunciou esta sexta-feira que vai investir 250 milhões de euros na Europa Ocidental nos próximos três anos para acelerar a descarbonização do seu negócio, ao assumir o objetivo de reduzir em 30% as emissões de gases com efeito estufa de toda a cadeia de valor até 2030 (e por comparação com 2019).

Esta é uma meta intermédia no caminho para a neutralidade carbónica em 2040. Para lá chegar a Coca-Cola vai reduzir emissões em cinco áreas da sua cadeia de valor: embalagens mais sustentáveis, plástico 100% reciclado, ingredientes, operações, transporte e redução da pegada carbónica dos equipamentos de refrigeração.

O maior foco será nas emissões de nível 3, aquelas que geram mais desafios, comprometendo-se a marca apoiar também os seus fornecedores na definição de metas de redução e no uso de 100% de eletricidade de fontes renováveis.

Na apresentação destas medidas a implementar à escala internacional, Damian Gammell, CEO da Coca-Cola European Partners, referiu que “a nossa visão sempre foi oferecer produtos feitos de forma sustentável, mas hoje reconhecemos a urgência de abordar as mudanças climáticas, um dos desafios mais sérios e complexos que a nossa sociedade e nosso planeta enfrentam. Por isso, desenvolvemos um ambicioso plano de redução das emissões de gases de efeito estufa que, com metas de redução de emissão de carbono alicerçadas cientificamente, apoiam a nossa ambição”.

“Temos a responsabilidade nas comunidades onde estamos presentes de adotar ações que minimizem os efeitos negativos no clima. Percebemos que será um processo longo e complicado – não existem soluções fáceis ou mágicas – mas estamos determinados a fazer essas mudanças o mais rápido possível e a cumprir a nossa parte para ajudar e influenciar os outros. Fizemos avanços significativos até agora e pretendemos continuar a liderar a transição para um futuro de baixo carbono, transformando a forma como fazemos negócios e trazendo o impacto sobre o ambiente para o centro de nossas decisões”, concluiu Gammell.

Em Portugal, a Coca-Cola também quer ser mais “verde”

Em julho deste ano, a Coca-Cola European Partners em Portugal recebeu o 2020 Energy Management Insight Award, sendo a primeira empresa portuguesa a ser distinguida com este galardão. Este prémio internacional é promovido pelo Clean Energy Ministerial, fórum mundial que engloba os ministros do ambiente e líderes governamentais de 26 países, reconhecendo as organizações pelos benefícios alcançados com a implementação de sistemas de gestão de energia certificados.

Em Portugal, a empresa investiu na última década cerca de 1,55 milhões de euros em medidas de eficiência energética, o que se traduziu numa redução de custos de 3,2 milhões de euros e num corte de emissões de CO2 de 17.400 toneladas. Este modelo integrado de gestão de energia permitiu à Coca-Cola em Portugal alcançar uma melhoria sustentada na eficiência energética de 33%.

Desde 2018 que toda a energia elétrica contratada na fábrica de Azeitão é certificada de origem renovável (eletricidade verde) e nos últimos três anos a CCEP investiu 3,9 milhões de euros em novos equipamentos de frio energeticamente mais eficientes. Deste investimento resultou uma redução de emissões de cerca de 46% nos equipamentos de frio (2019 vs 2010) e o consumo energético baixou de 72.000 MWh para cerca de 42.000 MWh (-41%)

Em termos de transportes a CCEP estabeleceu uma parceria para a utilização de paletes de madeira reutilizáveis, obtendo uma redução de 60% nas emissões de CO₂ relacionadas com as embalagens terciárias, Em 2019 reduziu 8200 toneladas de CO2 e o consumo de madeira nas paletes de uso único, o equivalente a salvar 18.400 árvores e evitar resíduos correspondentes a cinco anos de acumulação de resíduos em Lisboa.

Outra medida importante foi a passagem das frotas de veículos de transporte dos parceiros para camiões a gás, a incorporação de camiões de “dupla altura” para vasilhame permitindo aumentar a sua capacidade de carga e reduzir as suas deslocações, e continuar a apostar na produção nacional de mais de 90% do portefólio reduzindo as emissões de CO2.

Em termos dos materiais de embalagens colocados no mercado, incluindo todo o tipo de embalagens (primárias, secundárias e terciárias) verificou-se uma redução de 33% em peso absoluto, em 2019, comparativamente a 2010.

O objetivo de incorporar 50% de plástico reciclado nas embalagens em 2025 está a avançar, estando Portugal em linha para atingir esta meta de 50% já em 2021. Nos próximos dois anos a CCEP Portugal irá também alterar toda a frota comercial para híbridos e elétricos.

Coca-Cola European Partners incluída nos índices de CDP 2020

A Coca-Cola European Partners foi incluída na “Lista A” do Carbon Disclosure Project (CDP) pelo quinto ano consecutivo na sua edição de 2020. Esta lista inclui as empresas que lutam contra as alterações climáticas e pela segurança hídrica. O CDP publica classificações que vão de ‘A’ a ‘D’, identificando as principais empresas que atuam nas alterações climáticas, segurança hídrica e desflorestação no âmbito da “Lista A”.

A Coca-Cola European Partners decidiu ainda aderir à iniciativa Climate Pledge Friendly da Amazon, através da qual a empresa de comércio eletrónico pretende ajudar os seus clientes a encontrar e comprar produtos sustentáveis. O programa é lançado com mais de 40.000 produtos “Climate Pledge Friendly” em Espanha, Alemanha, França, Itália e Reino Unido, com uma ou mais de 19 certificações de sustentabilidade incluídas neste programa que ajuda a proteger o ambiente, por exemplo, reduzindo a pegada de carbono dos seus envios.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Coca-Cola investe 250 milhões de euros para ser neutra em carbono na Europa até 2040

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião