Banca tem “consciência do desafio dos testes” de stress climáticos

  • Capital Verde
  • 16 Dezembro 2020

BCP e Santander consideram que incluir o clima nos critérios de risco é imperativo, segundo dizem responsáveis no painel sobre finanças sustentáveis no Green Economy Forum 2020, do ECO/Capital Verde.

A banca e o mercado de capitais estão a acelerar a preparação para uma recuperação verde. Apesar de as finanças sustentáveis já serem um tema antes da pandemia, a Covid-19 veio pôr em foco os critérios sociais, ambientais e de governo de sociedades (ESG, na sigla em inglês) segundo dizem os responsáveis do Millennium bcp, Santander Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Euronext Lisbon no painel sobre finanças sustentáveis no Green Economy Forum 2020, do ECO/Capital Verde.

Assista ao painel sobre Finanças Sustentáveis aqui

A emergência das finanças sustentáveis levou a um reforço da regulação, nomeadamente no que diz respeito ao controlo do risco climático. A European Banking Authority (EBA) decidisse incluir este domínio nos testes de stress à banca. Apesar de ser um desafio, o Millennium BCP diz estar pronto para o enfrentar, em 2022. “O banco está preparado no sentido em que está a fazer o caminho. Preparados no sentido em que estamos prontos a aguardar nunca estaremos, mas estamos prontos no sentido em que temos consciência do desafio”, diz o CEO Miguel Maya.

“Os testes de stress não são um objetivo em si mesmo, o que é o objetivo é o que está subjacente e que nos vai garantir que passamos. O Millennium BCP está profundamente comprometido com a sociedade portuguesa e tem a clara consciência que temos um papel muito relevante a desempenhar”, sublinha.

A banca tem-se comprometido nos últimos anos com princípios de sustentabilidade, mas é preciso combater comportamentos enganadores — que impeça que esta agenda seja descredibilizada –, como é o caso do greenwashing e socialwashing, como alerta a presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que tem vindo a acompanhar o tema desde 2018.

“Naturalmente que temos responsabilidades, que consideramos grandes”, admite Gabriela Figueiredo Dias. “Qual é a nossa função fundamental? A de proteção do investidor, muito em particular o investidor individual, desde logo porque é mais frágil, mas também porque a dimensão em que a sustentabilidade está mais ativa no mercado é na gestão de ativos“, sublinha, lembrando que 95% dos investidores em Portugal estão nos fundos de investimentos.

A presidente da Euronext Lisbon, Isabel Ucha, partilha a preocupação. Aplaude o alargamento da oferta de produtos de investimento relacionados com sustentabilidade pelas instituições financeiras, que acompanham a aposta da bolsa. Mas alerta que, além dessa oferta, é preciso informar de forma simples e compreensível.

Alguns temas da sustentabilidade são tecnicamente complexos e temos de os transformar para que os investidores, em geral, consigam compreender. Aí há um papel para algum tipo de rating ou classificação que deverá ser tão harmonizada e standardizada quanto possível”, aponta a presidente da bolsa.

As regras europeias ainda se estão a definir, acompanhando o que tem sido a maior procura (tanto por emitentes como por investidores e instituições financeiras) de ativos verdes. É o caso das green bonds e, mais recentemente devido à pandemia, de social bonds. Tanto o Millennium bcp como o Santander Portugal têm dinamizado o mercado de obrigações verdes em Portugal.

Todo o sistema financeiro e banca em geral tem antecipado estas — mais do que tendências — práticas que têm de ser implementadas”, diz Miguel Belo de Carvalho, administrador executivo do Santander Portugal. Aponta o “sentido pedagógico muito grande, desde logo no processo de admissão de riscos”, que obriga a que sejam elencados os riscos relacionados com sustentabilidade, “o que induz um comportamento diferente à comunidade”.

O Green Economy Forum 2020 conta com o apoio de CTT, EDP, EY, Millennium bcp, REN, Santander, SuperBock Group e Volkswagen, e poderá ser acompanhado online nos sites do ECO e Capital Verde.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Banca tem “consciência do desafio dos testes” de stress climáticos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião