Deputados querem ouvir 160 pessoas no inquérito ao Novo Banco. Centeno, Carlos Costa, Ramalho e Vítor Bento são os mais pedidos

Os deputados da comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco vão pedir para ouvir, pelo menos, 160 personalidades. Os mais convocados são Mário Centeno, Carlos Costa, António Ramalho e Vítor Bento.

Os partidos já entregaram os requerimentos para audições e documentos da nova comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco. O objetivo é apurar as perdas registadas pela instituição financeira e imputadas ao Fundo de Resolução, que tem sido financiado através de empréstimos do Estado. Os deputados querem ouvir, pelo menos, 160 personalidades e ter acesso a dezenas de documentos.

Até ao momento, PS, PSD, Bloco de Esquerda, PAN, CDS e Iniciativa Liberal entregaram os requerimentos, dentro do prazo para o fazer, que terminava esta segunda-feira. O PCP ainda não tornou público o seu requerimento, tendo o ECO questionado o partido sem sucesso até à publicação deste artigo.

O número de pessoas chamadas pelos deputados ao Parlamento supera uma centena, mas há pedidos mais frequentes que outros. É o caso dos nomes que foram pedidos em simultâneo por esses seis partidos: Mário Centeno (ex-ministro das Finanças e atual governador do Banco de Portugal), Carlos Costa (ex-governador do Banco de Portugal), António Ramalho (atual CEO do Novo Banco) e Vítor Bento (que foi CEO do Novo Banco logo a seguir à resolução de 2014).

Não tão unânimes, mas também requeridos por três ou quatro partidos estão Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças que esteve envolvida na resolução do BES, Luís Máximos dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal e presidente do Fundo de Resolução, João Filipe Soares da Silva Freitas, secretário-geral do Fundo de Resolução e diretor do departamento de resolução (DRE) do Banco de Portugal, Byron Haynes, presidente do Conselho Geral e de Supervisão, e Ricardo Mourinho Félix, ex-secretário de Estado das Finanças.

Os partidos chamaram várias personalidades com diferentes responsabilidades, desde o próprio Novo Banco ao Governo e aos supervisores nacionais e europeus. Começando pelo Novo Banco, além dos já referidos António Ramalho, Vítor Bento e Byron Haynes, os deputados querem ouvir, entre outros, José Honório, ex-administrador BES/Novo Banco, Luís Seabra, ex-diretor do departamento de auditoria interna do Novo Banco, Domitilde Gomes Silva, na qualidade de antiga diretora do departamento de compliance do Novo Banco, entre outros ex-administradores.

Em relação ao Governo, além dos anteriores responsáveis como Centeno, Albuquerque e Mourinho Félix, os deputados também querem ouvir o atual ministro das Finanças, João Leão, e atual o secretário de Estado do Tesouro, Miguel Cruz. Em termos de poder executivo mas europeu, também são chamados Margrethe Vestager, comissária europeia para a concorrência, Mairead McGuinness, comissária europeia para a estabilidade financeira, e Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia que já teve o pelouro da estabilidade financeira até recentemente.

Já a lista de supervisores nacionais e europeus é longa e com vários nomes sonantes. Os deputados querem ouvir a atual presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e o seu antecessor, Mario Draghi, assim como Vítor Constâncio, ex-vice-presidente do BCE. São ainda chamados Ana Paula Serra, Conselho de Supervisão do BCE, Elke König, presidente do Mecanismo Único de Resolução, José Manuel Campa, presidente da Autoridade Bancária Europeia, e Andrea Enria, ex-presidente da Autoridade Bancária Europeia e atual presidente do Mecanismo Único de Supervisão.

Já nos supervisores nacionais, além de uma longa lista de responsáveis do Banco de Portugal e do Fundo de Resolução, o Parlamento também quer ouvir Gabriela Figueiredo Dias, presidente da CMVM, e o seu antecessor Carlos Tavares, assim como Maria Margarida Corrêa de Aguiar, presidente da ASF. Elisa Ferreira, atual comissária europeia e ex-administradora do Banco de Portugal, também é chamada. Fora dos supervisores, mas também da área financeira: será chamada Cristina Casalinho, presidente do IGCP.

Neste longa lista de personalidades constam também advogados de várias sociedades ligadas a este processo, incluindo Jorge Bleck, sócio da Vieira de Almeida e assessor jurídico do BdP e do FdR na venda do Novo Banco. O ainda o ex-secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, que foi o consultor do Banco de Portugal na operação também será chamado. Entre os economistas estão na lista nomes como Daniel Bessa ou Francisco Louçã, mas há também gestores de topo dos principais bancos portugueses, como é o caso de Paulo Macedo, CEO da CGD.

Por último, há ainda lugar para alguns dos protagonistas de dívidas para com o Novo Banco, como é o caso de Luís Filipe Vieira, atual presidente do Benfica, e Nuno Vasconcellos, ex-administrador e sócio da Ongoing. Mas também há pessoas menos óbvias como o denunciante Rui Pinto ou o ex-embaixador António Martins da Cruz. E a lista de convocatórias — que podem ser recusadas pelos próprios — poderá ainda crescer uma vez que falta conhecer os requerimentos do PCP.

(Notícia atualizada às 10h25 com atualização do requerimento apresentado pelo PS)

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