Bancos dão 30 milhões de euros por dia para comprar casa

  • Ema Gil Pires
  • 7 Janeiro 2021

Apesar da crise pandémica, valores concedidos para a compra de casa continuam elevados. Bancos deram 10,19 mil milhões de euros às famílias nos primeiros 11 meses de 2020.

Novembro fica marcado por ter sido o mês em que, durante 2020, os bancos concederam o maior montante às famílias portuguesas para a compra de habitação: um total de 1.113 milhões de euros. Os dados de dezembro ainda não são conhecidos mas, considerando os primeiros 11 meses do ano passado, foram emprestados mais de 30 milhões de euros diários pelos bancos.

Até 30 de novembro, os portugueses solicitaram (e obtiveram) aos bancos um total de 10,19 mil milhões de euros para investirem na aquisição de uma nova casa em 2020, isto apesar de se tratar de um ano marcado por uma forte crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Feitas as contas até essa data, o montante das novas operações de crédito para fins de habitação alcançou os 926 milhões mensais, número que ganha maior expressão quando se divide o valor por dia: foram 30,4 milhões de euros, em média, concedidos a cada 24 horas.

Muito dinheiro, muito barato. Num contexto de crise, o Banco Central Europeu (BCE) apressou-se a lançar uma nova “bazuca” para comprar dívida dos vários países que acabou por ter impacto nos juros nos mercados. Com as taxas em terreno negativo, só os “spreads” da banca mantêm o custo acima de zero.

E mesmo essas margens têm vindo a deslizar, havendo já vários bancos que, ávidos pelas comissões associadas a estes financiamentos, entraram numa “guerra” de “spreads” que os levou para 1%.

Muitos milhões para o consumo

Se olharmos agora para os dados do crédito ao consumo, conclui-se que o montante total dos empréstimos assinados em 2020 alcança um valor mais baixo: 3.971 milhões de euros na totalidade do ano. Tal corresponde a uma média mensal de 361 milhões de euros, ou seja, os portugueses acabaram por receber, da parte dos bancos, 11,85 milhões de euros diariamente para fazer face a despesas de consumo.

Já o crédito destinado a “outros fins” configura-se como o menos expressivo para as contas dos bancos e dos portugueses. No total do ano, foram contratados 2.029 milhões de euros para investimentos em outras finalidades, com a média mensal a fixar-se nos 184,5 milhões de euros. Ou seja, os bancos concederam, por dia, um valor aproximado de 6 milhões de euros para este propósito.

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