Depósitos atingem recorde de 160 mil milhões de euros antes do Natal

A pandemia trouxe uma nova dinâmica no comportamento financeiro dos portugueses. Com as medidas de restrição a travarem o consumo, 2020 trouxe um reforço das poupanças para níveis históricos.

A pandemia levou as famílias a “engordarem” as poupanças nos bancos, uma tendência que foi reforçada em novembro. No mês em muitos trabalhadores receberam já o subsídio de Natal, o montante em depósitos nos bancos, de clientes particulares em Portugal, manteve-se acima dos 160 mil milhões de euros.

“Os depósitos de particulares nos bancos residentes totalizavam 160,2 mil milhões de euros no final de novembro”, diz o Banco de Portugal (BdP), num comunicado divulgado esta terça-feira. Em relação ao mês anterior, representa um aumento de 1,6 mil milhões de euros (ou 1%). Já face ao mesmo período do ano passado, a taxa de variação anual foi de 7,3%, não apresentando alterações face ao ritmo de crescimento em outubro.

A pandemia trouxe uma nova dinâmica no comportamento financeiro dos portugueses. Com as medidas de restrição a travarem o consumo, 2020 trouxe um reforço das poupanças para níveis históricos. O anterior máximo histórico (que é agora batido) tinha sido registado também este ano, em julho, quando o dinheiro depositado nos bancos atingiu os 159,2 mil milhões. Em agosto, com as férias, o valor caiu, mas retomou a tendência de subida logo em setembro, que manteve nos dois meses seguintes.

Dinheiro nos bancos aumenta há três meses

Fonte: Banco de Portugal

Empréstimos em máximos de 2015

Além dos depósitos também os empréstimos a famílias e empresas aumentaram. “Em novembro de 2020, os empréstimos concedidos pelos bancos a sociedades não financeiras apresentaram uma taxa de variação anual (tva) de 8,7%, mais 0,5 pontos percentuais (pp) do que o observado no mês anterior. Destacou-se a evolução dos empréstimos às pequenas e às médias empresas, cujas tva aumentaram 1,6 pp e 0,7 pp, para 13,5% e 5,9%, respetivamente”, explica o BdP.

Já o crescimento dos empréstimos a particulares para habitação foi de 2%, “refletindo um aumento de 0,2 pp face a outubro”. A exceção foi o crédito ao consumo, que recuou 0,3 pontos percentuais relativamente ao mês anterior, para uma taxa de variação anual de 2%.

O total de empréstimos às famílias atingiu assim o valor mais alto desde setembro de 2015. O stock dos empréstimos concedidos pelos bancos aos particulares ascendia no final de novembro de 2020 a 120.415,5 milhões de euros, mais 374 milhões de euros que no mês anterior. A maior parte — 94.749,7 milhões de euros — diz respeito a crédito à habitação, enquanto 19.059 milhões de euros são para consumo e outros fins representam 6.606,8 milhões de euros.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Depósitos atingem recorde de 160 mil milhões de euros antes do Natal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião