Com infeções em máximos, países europeus aceleram a vacinação contra a Covid

Numa altura em que os casos de infeção continuam a disparar, do Reino Unido à Alemanha, passando por França, há vários países europeus a acelerarem os respetivos planos de vacinação.

Numa altura em que os casos de infeção continuam a disparar e os óbitos registados pelo novo coronavírus não cessam, os líderes europeus não baixam a guarda, numa tentativa de travar a propagação do vírus Sars-CoV-2 que ameaça os sistemas de saúde do Velho Continente. Vários países europeus estão a apostar em medidas mais restritivas e têm pressionado a União Europeia a assegurar mais doses de vacinas. Além disso, há também quem tenha acelerado os planos de vacinação.

Há pouco mais de uma semana arrancou a campanha de vacinação contra a Covid-19 em simultâneo na Europa, depois de a Agência Europeia do Medicamento ter dado “luz verde” à vacina desenvolvida pela Pfizer em conjunto com a BioNTech. Na quarta-feira, o regulador europeu aprovou também a vacina da Moderna, o que poderá abrir caminho a que mais cidadãos possam ser vacinados em todo o bloco comunitário. Portugal continental já recebeu 140.400 doses de vacinas, das quais mais de 66.700 doses já foram distribuídas 32.000 administradas, segundo o último balanço divulgado pela ministra da Saúde.

No nosso país, a task force responsável por definir os critérios do plano de vacinação, optou por começar a vacinar os profissionais de saúde e profissionais e residentes em lares, sendo está previsto que a população que não está incluída nos grupos prioritários apenas deverá começar a ser vacinada a partir de julho deste ano (isto no cenário “provável)” e que a última remessa de vacinas chegue no primeiro trimestre de 2022.

Assim, ainda deverá demorar algum tempo até que Portugal atinja uma imunização da população. Ao mesmo tempo, a União Europeia tem sido fortemente criticada pela lentidão no lançamento das vacinas, com os vários funcionários europeus a expressarem preocupação quanto aos planos de vacinação implementados no bloco comunitário e exigirem à Comissão Europeia, que explicasse por que não comprou mais vacinas. Apesar destas críticas e com mais de um milhão de cidadãos europeus vacinados, do Reino Unido à Alemanha, passando por França, há vários países a unirem esforços dentro de fronteiras para acelerarem os respetivos planos de vacinação.

Espanha pondera recorrer aos militares para agilizar vacinação

A par de vários países europeus, Espanha também está a fazer todos os esforços para agilizar a campanha de vacinação no país, numa altura em que os casos de infeção têm disparado nos últimos dias. Nesse sentido, a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, deixou em aberto a possibilidade dos militares integrarem a vacinação contra o coronavírus. O processo de vacinação tem variado entre as regiões, sendo que o governo regional da Madrid avançou no sábado que já usou 6% das doses de vacinação que recebeu, enquanto os responsáveis na região norte das Astúrias comunicaram, esta segunda-feira, que já administraram cerca de 81% das doses da vacina da Pfizer /BioNTech.

Face a estas discrepâncias, a Comunidade de Madrid anunciou na terça-feira que vai vacinar sete dias por semana, incluindo feriados. “Madrid vai vacinar às segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados, domingos e feriados. Manhã e tarde. Com todos os meios disponíveis, públicos e privados. Até à noite”, escreveu a presidente desta comunidade, Isabel Díaz Ayuso, no Twitter. Ao mesmo tempo, a Catalunha duplicou o número de doses administradas, tendo inoculado 20.843 pessoas, mais de metade na quarta-feira, segundo o El País (acesso livre, conteúdo em espanhol)..

Depois de a vacina da Moderna ter sido aprovada pelo regulador europeu, o ministro da Saúde espanhol anunciou que Espanha vai receber 600.000 doses de vacina, no espaço de seis semanas, sendo que o primeiro lote deverá chegar “entre sete a 10 dias”. : “Vamos atinguir a velocidade de cruzeiro. Agora vamos receber novas doses da vacina Pfizer, vamos começar a receber a vacina da Moderna e há outras que estão a ser analisadas pela Agência Europeia de Medicamentos, por isso acreditamos que no verão poderemos ter 70% da população vacinada ”, disse, otimista, Salvador Illa, citado pelo El País. Em termos acumulado, o país vizinho já vacinou mais de 139 mil pessoas, o que representa cerca de 296 doses por 100 mil habitantes de acordo com o jornal espanhol.

França acelera vacinação para “velocidade cruzeiro”

França vai acelerar e simplificar a vacinação contra a Covid-19 para “velocidade cruzeiro”, para se juntar aos parceiros europeus, anunciou na terça-feira o ministro da Saúde, após ter sido criticado relativamente à lentidão da campanha de vacinação no país. “Passámos ontem [segunda-feira, dia 4 de janeiro] as 2.000 vacinações, daqui até quinta-feira vamos aumentar bastante e vamos entrar numa curva exponencial […]. Vamos amplificar, acelerar e simplificar a nossa estratégia de vacinação”, apontou Olivier Véran, em entrevista à rádio RTL, citado pela Lusa.

E como “promessa dada é promessa honrada”, o esforço já começou a ser sentido, sendo que só na quarta-feira, o país já vacinou mais de 5.000 pessoas, segundo a rádio France Bleu (acesso livre, conteúdo em francês). França começou por vacinar o pessoal hospitalar em risco e os residentes de lares de idosos. No entanto, o ministro anunciou também na terça-feira que as pessoas com mais de 75 anos que vivam fora dos lares devem começar a ser vacinadas até ao fim de janeiro. Além disso, será ainda possível aos restantes franceses inscrever-se para a vacinação nos próximos dias, podendo mesmo esta inscrição vir a acontecer através da aplicação TousAntiCovid — a aplicação oficial do Governo para lutar contra a pandemia.

Reino Unido tenciona vacinar 14 milhões de pessoas até fevereiro

Em conferência de imprensa na terça-feira, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou que já foram vacinadas mais de 1,3 milhões de pessoas, sendo que o Reino Unido já aplica duas vacinas, a da Pfizer/BioNTech e a da Universidade de Oxford /AstraZeneca. Em finais de dezembro, um estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres apontava que o Reino Unido deveria vacinar dois milhões de pessoas por semana para evitar uma terceira vaga da Covid-19. “O cenário de intervenção mais rigoroso, com nível 4 em toda a Inglaterra, escolas fechadas em janeiro e 2 milhões de indivíduos vacinados por semana, é o único cenário que consideramos que reduz o pico nos cuidados intensivos abaixo dos níveis observados na primeira onda”, assinalava o estudo.

E tal, como Espanha e França, o Reino Unido pretende agilizar o plano de vacinação, tendo como meta vacinar cerca de 14 milhões de pessoas contra a covid-19 até meados de fevereiro. “É sem dúvida uma meta ambiciosa, uma meta muito ambiciosa. Mas estou confiante de que, com o plano posto em prática pelo NHS (serviço público de saúde britânico), chegaremos lá”, afirmou Nadhim Zahawi, secretário de Estado responsável pelo programa de vacinação, à Sky News.

Inglaterra foi o primeiro país do continente europeu a começar o processo. Contudo, ainda em dezembro foi detetada uma nova variante da Sars-CoV-2 em solo britânico que poderá ser até 70% mais contagiosa, embora não seja considerada mais letal ou causadora da forma da doença mais grave. Nesse sentido, e após terem disparado o número de infeções um pouco por todo o país, o Governo britânico decidiu decretar esta semana um novo confinamento total, que se vai prolongar por seis semanas.

Alemanha pede “paciência” com administração das vacina

A Alemanha foi um dos primeiros países a iniciar a campanha de vacinação, tendo começado, inclusivamente um dia antes do que a maioria dos países europeus. Ainda assim, o governo alemã está “debaixo de fogo” e não tem escapado às críticas, já que a vacina chegou a pouco mais 80 mil pessoas, um número bastante inferior ao número de vacinas recebidas. Nesse sentido, o ministro da Saúde veio esclarecer que a escassez de doses no início da campanha de vacinação era esperada e decorre de percalços na produção e não de compras insuficientes. “Precisamos de pedir paciência a grande parte da população”, disse Jens Spahn na quarta-feira, em Berlim, citado pela Bloomberg (acesso livre, conteúdo em inglês). “Pedimos vacinas suficientes, mais do que suficientes”, garantiu.

Também na terça-feira, a chanceler alemã Angela Merkel veio garantir que no segundo trimestre haverá “significativamente mais doses da vacina”, acrescentando que a União Europeia comprou “significativamente mais vacinas do que o necessário” para inocular todos os membros do bloco comunitário. Após estas críticas, Merkel convocou na quarta-feira uma reunião de emergência para acelerar o programa de vacinação contra a Covid-19 na Alemanha, que será uma das prioridades do governo alemão.

Bélgica cria nova equipa para acelerar vacinação

Também a Bélgica é um dos países onde são mais audíveis as críticas relativamente à demora do plano de vacinação. Nesse sentido, após um teste piloto que decorreu durante a semana passada e que vacinou menos de 1.000 pessoas, o governo belga criou uma nova equipa de peritos para acelerar o processo, revela a Euronews.

Nesse sentido, o país iniciou esta semana o plano de vacinação em larga escala, sendo que nesta primeira fase esperava vacinar entre 150.000 e 200.000 profissionais e residentes em lares e deverá terminar no final de janeiro ou início de fevereiro, de acordo com o ministro da Saúde, Frank Vandenbroucke, citado pelo Brussels Times (acesso livre, conteúdo em inglês). Ainda não há data para o início da próxima fase, que envolverá hospitais e profissionais de saúde, mas estima-se que a campanha de vacinação termine ainda este ano, estando dependente das doses de vacinas a que o país terá acesso.

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