Euro digital vem aí e o BCE quer saber a sua opinião

O BCE quer ser mais digital e acompanhar os avanços tecnológicos, mas deixa claro que a instituição liderada por Christine Lagarde não quer apanhar a nova onda das criptomoedas.

O Banco Central Europeu (BCE) quer ir mais longe nos pagamentos digitais e lançar um euro digital. A ideia, que contribui para uma sociedade cashless, é “combinar a eficiência dos instrumentos de pagamentos digitais com a segurança do dinheiro do banco central”. Concorda? Acha péssima ideia? É isso que a instituição liderada por Christine Lagarde quer saber.

“A nossa consulta sobre o euro digital está aberta até dia 12 de janeiro. Dê-nos a sua visão sobre os benefícios e os desafios de emitir um euro digital e o seu possível desenho“. O apelo foi feito esta semana pelo BCE, lembrando que faltam poucos dias para o fim do período em que o público em geral se pode pronunciar sobre a iniciativa lançada no ano passado.

A possibilidade de emitir um euro digital foi apresentada em outubro, como uma forma eletrónica de moeda do banco central acessível a todos os cidadãos e empresas, tal como as notas de euro, mas em formato digital. Não iria substituir notas e moedas, mas viria complementá-las, nomeadamente em situações de aumento da procura por pagamentos eletrónicos, de diminuição significativa da utilização de numerário ou de surgimento de meios de pagamento alternativos com preocupações regulamentares e riscos para a estabilidade financeira.

“O euro pertence aos europeus e a nossa missão consiste em ser o seu guardião”, dizia a presidente do BCE, Christine Lagarde, na altura. “Os europeus estão a recorrer cada vez mais a meios digitais quando decidem gastar, poupar e investir. O nosso papel é assegurar a confiança na moeda. Isso significa garantir que o euro se adapta à era digital. Devemos estar preparados para emitir um euro digital, caso seja necessário“.

Euro digital não é uma criptomoeda

O BCE quer ser mais digital e acompanhar o desenvolvimento tecnológico, mas há uma coisa que deixa clara: esta não é uma forma de a instituição liderada por Christine Lagarde apanhar a nova onda de valorizações das criptomoedas. O euro digital não é uma criptomoeda, garante, e explica as diferenças.

“O banco central, além da função de supervisão, atua como um credor de último recurso para evitar a falência de bancos comerciais em situações excecionais. Em simultâneo, os depósitos em bancos comerciais são protegidos na Zona Euro por esquemas de seguros de depósitos. Em contraste, os cripto-ativos não são responsabilidade de nenhuma entidade, portanto, não existe uma estrutura fiável para sustentar o valor e proteger os detentores diretos. Esses ativos são, em larga maioria, não regulamentados, o que representa elevado risco para os utilizadores“, explica o BCE, no relatório sobre o trabalho em curso.

O banco central quer manter-se fiel aos princípios do eurossistema, nomeadamente mantendo todo o controlo sobre estes ativos. O BCE explica que pretende continuar a controlar toda a emissão e circulação de euros digitais, que poderão sempre ser convertidos com outras formas de euro. Seria, por definição, livre de risco e fiável, bem como disponibilizada de forma igual a todos os Estados-membros.

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