Sucesso da presidência portuguesa será medido pelo avanço nas vacinas e fundo de recuperação

Os analistas do banco holandês ING consideram que a presidência português será julgada pelo sucesso da vacinação e da implementação do fundo de recuperação europeu.

Portugal segura no leme da presidência do Conselho da União Europeia numa altura em que, apesar de ter as suas próprias prioridades, a realidade dominará o trabalho. Os analistas do banco holandês ING consideram que o sucesso da vacinação e do arranque do fundo de recuperação europeu será crucial para fazer o julgamento sobre os seis meses de presidência portuguesa.

Na nossa opinião e de forma a estimular a recuperação da Zona Euro, os dois assuntos mais importantes para a presidência portuguesa passam por um eficiente lançamento do programa de vacinação em conjunto com a implementação total do fundo de recuperação europeu“, escrevem os analistas do ING numa nota divulgada esta quinta-feira, concluindo que o sucesso da presidência não será definido pelas prioridades portuguesas mas por estes dois temas centrais para a UE.

Os analistas identificaram uma “longa lista de desejos” por parte da presidência portuguesa com o foco nos assuntos sociais, nomeadamente sobre o sistema de imigração europeu e o pilar dos direitos sociais, nas relações com a Índia e África e ainda a promoção das prioridades europeias da dupla transição digital e ambiental. Contudo, a realidade veio impor as suas próprias urgências que a presidência portuguesa não poderá ignorar, desde logo a “revitalização” das relações entre os Estados Unidos e a UE após a tomada de posse de Joe Biden a 20 de janeiro, ainda que o recente acordo de investimento com a China possa causar algum atrito.

Certo é que a pandemia continuará a dominar a atualidade, seja na saúde pública (e vacinação) seja na frente económica. Os analistas do ING consideram que a implementação do Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2021-2027 e do fundo de recuperação europeu (Próxima Geração UE) é “crucial”, tendo um impacto no crescimento de curto prazo. Além da aprovação da legislação dos recursos próprios em todos os Estados-membros, os países têm de apresentar planos sobre como vão gastar o dinheiro no máximo até 30 de abril.

A nossa expectativa é que o fundo de recuperação europeu vá estimular o crescimento económico no segundo semestre deste ano ao aumentar o investimento público“, antecipam os analistas do ING, avisando que ainda não é claro de que forma as empresas privadas poderão juntar-se a este esforço de investimento dado que a sua capacidade financeira foi afetada pela pandemia. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, espera que a Comissão Europeia emita em nome da UE dívida em abril pelo que as primeiras tranches ainda podem sair no primeiro semestre.

Do lado da saúde, além das restrições e da coordenação europeia nas fronteiras, o foco estará na vacinação, cujo processo parece estar a ser mais lento na UE do que no Reino Unido, por exemplo. Estes meses também deverão ser o palco de discussão do “certificado de vacinação” proposto pelo primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, para estimular o turismo. Mas a tensão maior estará na compra de mais vacinas com alguns países a inclinarem-se para aquisições nacionais em vez de centralizadas na Comissão Europeia. “Um dos maiores desafios da presidência portuguesa é o equilíbrio entre os interesses nacionais e os europeus“, concluem os analistas do ING.

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