Lojistas congratulam-se com novos apoios, mas dizem que “não vão evitar despedimentos e falências”

A Associação de Marcas de Retalho e Restauração vê com bons olhos os apoios anunciados no âmbito do novo confinamento, mas defende a extensão das moratórias de crédito.

A maior parte das lojas inseridas nos centros comerciais estão de portas fechadas desde esta sexta-feira, na sequência do novo confinamento. O Governo anunciou novos apoios para estas empresas, apoios esses que os lojistas consideram positivos, embora admitam que não vão ser suficientes para impedir despedimentos e falências. Uma ajuda que seria importante, referem, seria a extensão das moratórias de crédito.

“Vai ser muito duro para o negócio, vai fechar tudo novamente”, começa por dizer ao ECO Miguel Pina Martins, presidente da Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR), referindo, contudo, que os lojistas já vinham a contar com este novo confinamento desde o início do ano.

O também CEO da Science4You nota que as expectativas já eram de um encerramento e que até houve uma certa surpresa com algumas das exceções definidas. Mas, apesar de ser algo com que já estavam à espera, não houve muita preparação que pudesse ser feita. “Não havia muito a preparar. As empresas estão com o mínimo de trabalhadores possíveis e, mesmo abertas, as vendas são baixas”, diz, notando que “seria muito mais grave se isto tivesse acontecido a 15 de dezembro”, por exemplo, em plena altura de compras de Natal.

Sobre os apoios anunciados pelo Governo para as empresas que estão obrigadas a encerrar, Miguel Pina Martins refere que “suficientes nunca são, mas são positivos dentro do possível”. “É muito difícil que sejam suficientes, porque não vão evitar despedimentos nem insolvências. Mas é melhor do que não ter nada”, afirma, dizendo ser “importante que os apoios cheguem ao terreno o mais rapidamente possível”.

Apesar disso, o presidente da AMRR defende que estender as moratórias de crédito, cujo prazo de adesão termina a 31 de março, seria uma ajuda fundamental. “Era muito importante estender as moratórias. E começar já — principalmente a parte que não tem juros –, especialmente para os setores que estão a fechar”, nota. “Seria um fator chave que isso fosse aprovado, pelo menos, até ao final do ano. Mas acho que terá de ser mais tempo, provavelmente até março de 2022”, afirma.

Miguel Pina Martins nota que há cerca de dois ou três meses os números apontavam para entre 50.000 a 75.000 pessoas despedidas no setor e que a “tendência é para se agravar”. E que mesmo depois de terminar o confinamento a recuperação será “lenta”. “Mas se há um entendimento mundial de que os casos passam do retalho e da restauração, temos de aceitar e, acima de tudo, esperar que passe depressa para reabrirmos portas”, remata.

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