Quem é quem na nova administração da EDP

Há mudanças no número de administradores bem como na organização da liderança do grupo, que passa a funcionar em função de áreas em vez de por empresa. São estes os novos gestores da EDP.

É uma equipa mais pequena, ágil, focada em dar resposta aos desafios de um mercado em evolução“. Foi assim que o novo CEO Miguel Stilwell d’Andrade descreveu o novo conselho de administração executivo da EDP, que foi aprovado esta terça-feira pelos acionistas. São cinco elementos (na anterior equipa eram nove) e quatro deles são prata da casa, sendo que a maior alteração é mesmo no presidente. Stilwell chega a CEO efetivo após sete meses como interino e põe fim à era António Mexia.

Não só há mudanças no número de administradores como também na organização da liderança do grupo, que passa a estar dividida em função de áreas em vez de por empresa do grupo. São estes os novos gestores da EDP para o período 2021-2023.

Miguel Stilwell d’Andrade, CEO da EDP e EDPR

“Face ao papel que as renováveis têm tido dentro do grupo — representa 75% do investimento –, é natural que o CEO do grupo passe a ser também CEO das renováveis, por isso irei assumir essas funções”, anunciou Stilwell sobre a principal alteração. Fica com as funções não só de António Mexia como de João Manso Neto.

Nascido a 6 de agosto de 1976, formou-se em engenharia mecânica na escocesa University of Strathclyde e detém um MBA no norte-americano MIT. Começou a carreira no banco de investimento UBS, em Londres, onde trabalhou na área de fusões e aquisições (M&A). Foi exatamente para essa área que chegou à EDP, em 2000.

Após nove anos com este pelouro, assumiu funções de administrador não executivo da EDP Gás Distribuição, antes de se tornar CEO da EDP Comercial em 2012. No mesmo ano, entrou para o conselho de administração do grupo. Mais tarde, viria igualmente a ser CEO da EDP Espanha. Foi em abril de 2018 que Miguel Stilwell d’ Andrade assumiu os comandos das finanças da elétrica. Também ele, ao lado de Mexia, teve de lidar com a (falhada) OPA da CTG, à qual se seguiu o plano estratégico de reconversão do negócio. Foi, por isso, visto como sinal de continuidade desde que assumiu funções de CEO interino quando Mexia foi afastado judicialmente.

Rui Teixeira, o diretor financeiro

Tal como no caso do CEO, também o CFO será o mesmo para a EDP e a EDP Renováveis e o escolhido é Rui Teixeira. Depois da decisão do juiz Carlos Alexandre de rever as medidas de coação aplicadas a António Mexia e Manso Neto, suspendendo os dois gestores de funções e impedindo-os de entrar nas instalações da EDP, foi chamado a assumir as rédeas das renováveis como CEO interino, acumulando funções com as de CFO. Agora, regressa à direção financeira, mas passa a CFO também da casa-mãe.

Nascido em 1972, é licenciado em Engenharia Naval pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, tem um MBA pela Universidade Nova de Lisboa e é graduado pela Harvard Business School no Advanced Management Program. O início da carreira foi ligado ao comércio marítimo e equipamentos, antes de se tornar consultor sobre as áreas de energia, transporte marítimo e banca de retalho.

Rui Teixeira está no grupo EDP desde março de 2004, onde liderou o Planeamento e Controlo Corporativo até 2007. Nesse ano, assumiu o cargo de CFO da EDP Renewables Europe e da EDP Renováveis. De 2008 a 2015, integrou o Conselho de Administração e a Comissão Executiva da EDP Renováveis, tendo depois sido eleito membro do Conselho de Administração Executivo da EDP e reeleito para mais um mandato. Em julho viria a ocupar o cargo de Presidente do Conselho de Administração da EDP Gestão da Produção de Energia e também de CEO interino da EDP Renováveis, quando Manso Neto saiu.

Miguel Setas, o líder do negócio no Brasil

Na nova administração, Miguel Setas sobe a presidente do Conselho de Administração do Brasil e assume também a coordenação global das redes de distribuição do grupo. Está no país desde 2008 e desempenhava funções de presidente executivo da EDP Brasil até agora, cargo que será agora assumido por João Marques da Cruz. Desde julho de 2020 é também presidente do Conselho de Administração da EDP Gestão da Produção de Energia em Portugal.

Nasceu em 1970, formou-se em Engenharia Física no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde também fez o Mestrado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. Em 1996, fez o MBA na Universidade Nova de Lisboa, tendo completado também formação executiva na Harvard Business School, Wharton, IESE (Barcelona) e CEIBS (Xangai). Entrou para o setor da energia em 1998, como diretor corporativo da GDP – Gás de Portugal e manteve-se ligado ao setor também na Lisboagás e na Galp Energia. Entre 2004 e 2006 foi Administrador da CP – Comboios de Portugal, antes de entrar na EDP, em 2006, como chefe de gabinete do então CEO.

Entre 2008 e 2010, foi vice-presidente responsável pelos Novos Negócios, Comercialização e Renováveis. Até 2013, desempenhou funções de vice-presidente responsável pelo negócio da distribuição (CEO das empresas EDP Bandeirante e EDP Escelsa). Desde 2007 é ainda administrador da EDP Comercial e membro da Administração da EDP Inovação, da Portgás e da Fundação EDP.

Vera Pinto Pereira, a líder da comercialização

Vera Pinto Pereira também não é nova nas lides da administração da EDP. A 5 de abril de 2018 foi eleita para membro do Conselho de Administração Executivo da EDP, onde assumiu funções como presidente da EDP Comercial e da EDP Soluções Comerciais, bem como membro do Conselho da EDP España, da EDP Renováveis e da Fundação EDP. No novo mandato passa a gerir a comercialização em todas as geografias em que o grupo opera, é líder da EDP comercial em Portugal e da comercialização em Espanha e no Brasil. Vai ficar também com o pelouro das atividades sociais e culturais.

Nasceu em 1974, é licenciada em Economia pela Universidade Nova de Lisboa, conclui em 2000 um MBA, no INSEAD, em Fontainebleau, França. Iniciou a carreira profissional como associada da Mercer Management Consulting (atual Oliver Wyman) entre 1996 e 1999, tendo posteriormente, entre 2001 e 2003, sido sócia fundadora da Innovagency Consulting. Em 2003 passou para a TV Cabo Portugal (atual NOS) onde começou por ser diretora de marketing estratégico, tendo depois passado diretora do serviço de TV. Em 2007, transitou para a Portugal Telecom.

Entre janeiro de 2014 e março de 2018, assumiu a função de vice-presidente executiva da Fox Networks Groups e diretora-geral para a Península Ibérica, sendo ainda membro da Equipa de Liderança Executiva do Grupo para a Europa e África. Durante este período integrou ainda, como membro não executivo, a Administração da Pulsa Media, com sede em Barcelona. É também membro da direção do Instituto Português de Corporate Governance, desde junho de 2019, e da direção da Charge Up Europe desde setembro.

Ana Paula Marques, a recém-chegada para a inovação

Ana Paula Marques é a única gestora do grupo que não pertencia ainda à EDP e irá ficar com responsabilidades nas áreas da geração convencional, bem como da inovação do grupo. Nasceu em 1973 e é licenciada em Economia pela Faculdade de Economia do Porto (FEP). Concluiu um MBA, no INSEAD, em 2002, em França e em Singapura.

Frequentou programas para Gestão de Executivos no IMD de Lausanne e na Harvard Business School, tendo iniciado a carreira profissional na área de marketing da Procter & Gamble, entre 1996 e 1998. Integrou a Optimus, foi diretora de Marketing da Unidade de Negócio Particulares e mais tarde diretora de marca e comunicação. Entre 2008 e 2009 assumiu a Direção de Marketing e Vendas da Unidade de Negócio Particulares, tendo-se tornado administradora não executiva em 2010.

Entre 2011 e 2014 foi presidente da Associação Portuguesa dos Operadores de Telecomunicações (APRITEL). Em 2013, foi eleita membro do Conselho de Administração Executivo da Nos e, em 2019, vice-presidente. É também Professora Convidada na Porto Business School, desde 2007, e na Faculdade de Economia do Porto, desde 2013.

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