Economistas não antecipam, para já, recessão em 2021

Com o novo confinamento, o cenário central da Católica para 2021 passou a ser de recessão. Contudo, os economistas contactados pelo ECO são mais cautelosos e confiam na recuperação.

Há uma semana os economistas da Católica surpreenderam pelo pessimismo das novas previsões em que deixavam de acreditar numa recuperação da economia em 2021, por causa do novo confinamento, e passavam a prever uma contração de 2%. Contudo, os economistas contactados pelo ECO na sequência desta previsão desalinhada das restantes são cautelosos e confiam que a economia vai recuperar assim que o pior momento da pandemia passar.

Continuo a achar que o crescimento do PIB em Portugal em 2021 vai ser positivo“, responde José Maria Brandão de Brito, economista-chefe do BCP, ao ECO, argumentando que, se a campanha de vacinação for “bem sucedida”, é “provável uma forte aceleração da atividade a partir do segundo trimestre”. Em 2020, a economia recuperou mais do que o esperado pelos economistas no terceiro trimestre, após o primeiro confinamento de março e abril e a progressiva normalização de maio e junho.

Paula Carvalho, economista-chefe do BPI/CaixaBank, assume a mesma posição, apesar de admitir que no primeiro trimestre o PIB deverá contrair, provocando em Portugal uma recessão “técnica” (dois trimestres consecutivos com o PIB a cair). Tal é justificado pela “necessidade de restrições à mobilidade mais severas para conter os contágios e o previsível prolongamento de medidas restritivas até ao final do trimestre”, além da progressão “lenta” do processo de vacinação.

Este novo confinamento — que o Governo não esperava, tal como sugeriu o ministro das Finanças esta segunda-feira — levará a um ajuste “em baixa” das previsões de crescimento para 2021, “mas mantendo recuperação no ano“, assegura Paula Carvalho, antecipando que “a hipótese de queda anual da atividade só ocorreria num cenário mais extremo, que neste momento consideramos pouco provável, com a informação disponível“. O BPI deverá atualizar as suas previsões assim que os dados do quarto trimestre de 2020 forem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Já Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa, realça “que existem muitas incertezas e variáveis identificadas e que os cenários espelham uma grande amplitude“. “O PIB em 2021 dependerá da evolução da pandemia, da vacinação da população, do andamento económico mundial, em particular da Europa, e do grau de penalização do atual confinamento ditado pelo agravamento da pandemia”, nota, sem se comprometer com uma previsão de crescimento ou recessão em 2021.

As opiniões dos economistas contactados pelo ECO estão em linha com a atualização do World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional divulgada esta terça-feira. O FMI reviu em alta o crescimento mundial, principalmente por causa da melhoria das previsões para os Estados Unidos, mas reviu em baixa em um ponto percentual a recuperação da Zona Euro. Ainda assim, aponta para um crescimento de 4,2%.

Não há uma atualização da previsão para Portugal, mas os números para Itália e Espanha podem dar um sinal: há uma significativa revisão em baixa por causa dos “renovados confinamentos”, mas estes países continuam a crescer 3% e 5,9% em 2021, respetivamente. Em outubro do ano passado, o Fundo previa uma recuperação de 6,5% da economia portuguesa.

Católica já dá o ano como perdido e vê economia portuguesa a encolher 2% em 2021

Na semana passada, a Católica reviu significativamente em baixa as previsões económicas para 2021. Em vez de um crescimento de 2,5% este ano, os economistas colocaram como cenário central uma contração do PIB de 2%, o que é justificado pelo “confinamento severo” em que o país se encontra atualmente. Contudo, assumiam que há muita incerteza e que não é de excluir que a recuperação posterior seja forte o suficiente para compensar as perdas do arranque do ano.

“Aquilo que era um evento de probabilidade importante, mas baixa, tornou-se uma certeza”, referia o Católica Lisbon Forecasting Lab (NECEP) na folha trimestral de conjuntura divulgada na passada quarta-feira, explicando “esta previsão assume que a economia em 2021 deverá andar ao nível do terceiro ou quarto trimestres de 2020 se for possível aliviar as medidas de confinamento, mas baixará para valores não muito melhores do que os observados no segundo trimestre do ano passado em confinamentos semelhantes ao que está atualmente em vigor”.

Contudo, avisavam: “A hipótese de crescimento não pode ser excluída à partida, dado que o terceiro trimestre do ano passado ilustra bem a possibilidade de uma recuperação rápida quando se aliviam as medidas de confinamento”.

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