Com saída de coordenador da task force, Rio sugere “pedir o apoio do exército, que tem a formação adequada”

O coordenador da task force, responsável pelo plano de vacinação contra a Covid-19, demitiu-se devido a irregularidades na vacinação no Hospital da Cruz Vermelha. Conheça as reações políticas.

O coordenador da task force para a vacinação contra a Covid-19 no país demitiu-se, revelou o Ministério da Saúde esta quarta-feira. Desde a estranheza do momento, bem como dos motivos, à procura por um substituto, os partidos já começaram a reagir. Várias forças defendem um coordenador com competências na logística, surgindo sugestões que apontam para as forças armadas.

Francisco Ramos renunciou ontem [terça-feira, dia 3 de fevereiro] ao cargo por “irregularidades detetadas pelo próprio no processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa do qual é presidente da Comissão Executiva”, lê-se na nota de imprensa da tutela liderada por Marta Temido.

PSD sugere apoio do exército na coordenação do plano

Quanto à saída do coordenador, o presidente do PSD aponta que “há aqui coisa que é estranha”, já que perante a justificação faria sentido demitir-se do cargo no Hospital da Cruz Vermelha. Em declarações no Parlamento, transmitidas pelas televisões, Rui Rio defende que, para substituir Francisco Ramos, seja alguém com formação em logística, sugerindo alguém do exército ou forças armadas.

Rui Rio reitera assim que é necessário ter à frente da coordenação do plano de vacinação uma “pessoa capaz na lógica da logística”, sendo que “uma das possibilidades” em cima da mesa “era pedir o apoio do exército que tem a formação adequada”. “Não quer dizer que tenha que ser do exército mas temos que ter pessoas com perfil adequado”, explicou.

O presidente do PSD aponta ainda que a vacinação, que estava sob a coordenação de Francisco Ramos, “está a correr mal”, já que a distribuição “não está a ser feita como deve ser”. “Temos de vacinar 70% da população adulta até fim de junho, porque se não o fizermos deitamos fora o verão e damos cabo ainda mais da economia nacional e particularmente do turismo”, reiterou Rui Rio.

Para chegar a essa percentagem da vacinação, “implica dar 50 mil doses em média por dia. Até à data estamos a dar 10 mil doses, já vamos com atraso”, acusa Rio. “Se quisermos cumprir já é com 80 mil ou 90 mil doses por dia que chegamos ao objetivo”, aponta, questionando assim se “está preparado o país do ponto de vista logístico das instalações para dar, por dia, 80 mil doses ou 60 mil”.

PS defende que vacinação está a “decorrer ao ritmo previsto”

O PS defende que Francisco Ramos era “das pessoas no país mais capaz para a tarefa que tinha em mãos”, defendendo que o plano de vacinação está “a decorrer ao ritmo que estava previsto tendo em conta o ritmo a que vacinas vão chegando”. A deputada Sónia Fertuzinhos apontou que a competência para escolher um substituto “é exclusivamente do Governo”.

“Ainda não conhecemos as razões da demissão de Francisco Ramos, aquilo que se sabe não tem a ver diretamente com o plano no seu conjunto”, apontou a deputada socialista. Ainda assim, reitera que, tal como apontou o Governo, “a demissão não põe em causa trabalho da task force e o ritmo da vacinação”.

Quanto ao sucessor de Francisco Ramos, o partido recorda que o Parlamento “não tem essa competência”, que cabe “exclusivamente ao Governo”, que “saberá escolher”.

PCP diz que é fundamental penalizar abusos na vacinação

Jorge Pires, do PCP, em reação à saída de Francisco Ramos, aponta que “é fundamental definir critérios rigorosos de vacinação, acompanhar, procurar combater abusos e penalizá-los quando eles existirem”, em declarações à SIC Notícias.

“A questão central que se coloca hoje é procurar chegar o mais rápido possível a todos portugueses e para isso é preciso que Governo assuma de forma soberana a possibilidade de adquirir vacinas noutros países”, defendeu o PCP.

CDS aponta “estranheza” na justificação de demissão

Em reação, o CDS apontou a “estranheza dos motivos alegados para a demissão”, questionando até se “não faria sentido demitir-se do cargo na Cruz Vermelha”, em declarações transmitidas pelas televisões. Por outro lado, a deputada Ana Rita Bessa salientou também que parecia existir um “desacerto entre Francisco Ramos e a tutela”, nomeadamente existindo um “desentendimento grande”.

Sublinhou ainda o momento em que surge a decisão, no dia em que o primeiro-ministro “anunciou que íamos dar um salto na vacinação”. “Não deixa de ser suis generis que nesse mesmo dia se demita” o coordenador responsável pelo plano de vacinação contra a Covid-19, apontou Ana Rita Bessa.

Quanto ao que se segue, Ana Rita Bessa apontou que “na task force existem já elementos, por exemplo das forças armadas, capacitados” para gerir processos com esta natureza. “Que entreguemos a quem sabe e assunto se processe rapidamente”, reiterou, apontando que já que existem elementos das forças armadas, por exemplo, que já integram o grupo, em vez de um “novo processo de seleção de nomes, aproveitar o expertise“.

PAN salienta “conjunto de outras irregularidades” na vacinação

Já o PAN defendeu que é necessário que o plano de vacinação “decorra da forma mais justa possível”, sendo que “há cidadãos e cidadãs que fazem parte de grupos de risco e têm de ser priorizados”. Quanto à justificação pela saída de Francisco Ramos com as irregularidades no Hospital da Cruz Vermelha, a deputada Bebiana Cunha apontou que “todos nós sabemos que têm havido alegadamente um conjunto de outras irregularidades que vão para além destas questões”.

O partido defende, por isso, que o Governo “não se pode escudar, tem que vir explicar aquilo que se passa”, quer sejam “pessoas a passar à frente da sua vez sejam vacinas a serem atribuídas sem qualquer diretriz ou lógica apenas porque são excedentárias”. “Há aqui uma necessidade urgente do Governo se pronunciar face a esta matéria e esperados que o faça o quanto antes”, reiterou.

IL defende substituto competente na logística

João Cotrim Figueiredo defende que “mais importante que a saída do coordenador é escolha do próximo”. O deputado da Iniciativa Liberal considera que deve “ser alguém igualmente competente nas matérias mais técnicas da saúde, mas também na logística”. É um plano “a aplicar no país todo, tem que ter logística muitíssimo bem implementada”, defende.

Para além disso, defende que, neste momento, a “mudança do coordenador é uma oportunidade para recuperar crédito e esperança que portugueses perderam” na vacinação.

Chega defende que saída de coordenador “peca por tardia”

André Ventura reagiu também à demissão de Francisco Ramos, apontando que o partido saúda a decisão, que diz que “peca por tardia”. O deputado reiterou que existiam já várias preocupações quanto a irregularidades na vacinação, uma “luta” da qual o partido não iria desistir “até ao final do plano de vacinação”, salientou, em declarações transmitidas pelas televisões. O deputado do Chega apontou ainda que Portugal “precisa de alguém credível, isento e objetivo” neste cargo, a coordenar a vacinação contra a Covid-19.

(Notícia em atualização)

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