Receitas do turismo afundaram 67% com a pandemia em 2020

A pandemia teve um impacto significativo no setor do turismo em 2020, levando as receitas a afundarem para 1.457 milhões de euros. Portugal perdeu mais de 17 milhões de turistas.

Desde o início que se esperava este impacto, mas os números ainda são mais expressivos. A pandemia arrasou o turismo em 2020, levando a uma perda superior a 17 milhões de turistas. Isso refletiu-se nas dormidas, que não eram tão baixas desde 1993, e nas receitas, que afundaram 67% para 1.457 milhões de euros, mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O impacto da pandemia no turismo foi notório mês após mês, com o setor a registar perdas na ordem dos 80%. Contudo, em dezembro, deu-se uma “ligeira recuperação”, refere o INE. No último mês do ano passado, o setor registou 459.400 hóspedes e 969.800 dormidas, o equivalente a descidas de 70,9% e 72,4%, abaixo das observadas em novembro (-76,8% e -76,9%, respetivamente).

Mas os efeitos da pandemia são notórios na totalidade do ano de 2020. Contaram-se 10,5 milhões de turistas, menos 61,3% do que em 2019, num total de 25,9 milhões de dormidas, menos 63%. Os portugueses lideraram em número, contabilizando-se 6,5 milhões de turistas residentes (-39,2%), enquanto os estrangeiros foram apenas 3,9 milhões (-75,7%).

A pandemia teve notoriamente um forte impacto nos resultados anuais. [Em janeiro e fevereiro de 2020], as dormidas apresentaram um crescimento de 10,8%, resultados que foram parcialmente influenciados por efeitos de calendário: o Carnaval, que ocorreu em fevereiro e no ano anterior ocorreu em março, e em 2020 fevereiro teve 29 dias mais um que em 2019. No conjunto dos 10 meses seguintes, registou-se uma diminuição de 70,4% nas dormidas”, refere o INE.

O INE nota ainda que, durante 2020, excetuando janeiro e fevereiro, “a proporção de estabelecimentos encerrados ou que não registaram movimento de hóspedes foi sempre superior à verificada em 2019”. Abril e maio foram os meses que registaram maiores proporções (85% e 74,1%), enquanto em agosto e setembro se registaram os menores valores (22,8% e 25,9%).

No ano passado, todos os principais mercados registaram decréscimos expressivos superiores a 65%, sobretudo os mercados irlandês (-89,5%), norte-americano (-87,7%) e chinês (-82,8%). O Reino Unido continuou a ser o principal mercado, concentrando 16,3% das dormidas de estrangeiros, mas diminuindo 78,5% face a 2019. Seguiram-se os alemães e os espanhóis.

Numa análise por regiões, as que apresentaram as menores diminuições nas dormidas foram o Alentejo (-37,4%, 1,84 milhões de dormidas), o Centro (-52,6%, 3,38 milhões) e o Norte (-59,2%, 4,4 milhões). Já as maiores reduções verificaram-se na Área Metropolitana de Lisboa (-71,5%, 5,3 milhões), nos Açores (-71,2%, 655 mil) e na Madeira (-67,3%, 2,4 milhões). O Algarve concentrou 30,5% das dormidas, num total de 7,9 milhões de hóspedes.

Face a todas estas quebras, o impacto na faturação foi notório. Os proveitos totais com o setor diminuíram 66,1% para 1.457 milhões de euros, enquanto os proveitos de aposento recuaram 66,3% para 1,1 mil milhões de euros.

(Notícia atualizada às 11h50 com mais informação)

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