Quatro em cada dez senhorios em Lisboa têm rendas em atraso

Devido à pandemia, são muitos os senhorios em Lisboa que têm rendas por receber por parte dos inquilinos. Apesar disso, a maioria não pretende mexer no valor das rendas.

A pandemia afetou as contas de muitas famílias, sobretudo aquelas que têm rendas para pagar. Na capital, onde os preços com a habitação são mais altos, o esforço é também maior. E os números falam por si. Um inquérito feito pela Associação Lisbonense de Proprietários (ALP) revela que quase 40% dos senhorios da capital registam rendas em atraso, sendo que mais de um terço acumula perdas de três a seis meses. Mas, apesar disso, quase todos os senhorios inquiridos pretendem manter os preços das rendas inalterados.

O barómetro “Confiança dos Proprietários” da ALP mostra que 38,7% dos senhorios em Lisboa dizem ter rendas em atraso (habitacionais e não habitacionais), sendo que destes, mais de um terço (36,5%) acumula perdas de três a seis meses de rendas, enquanto outro terço (33,9%) acumula entre duas e três rendas em falta. Nota ainda para 18,3% dos inquiridos que têm mais de meio ano de rendas por receber.

Mas, apesar deste cenário, 65% dos proprietários inquiridos (amostra de 300) não têm intenção de avançar com processos de despejo. Destes, 40% não o farão por compreensão e solidariedade para com a situação de fragilidade social e económica dos inquilinos e 38,9% devido à morosidade da justiça para não fazer valer os direitos consagrados contratualmente nos tribunais competentes.

Os dados mostram ainda que 77,3% dos senhorios que vão continuar no mercado de arrendamento não pretendem mexer nos preços das rendas. Apenas 10% admitem diminuir os valores a cobrar, enquanto 12% ponderam aumentá-los.

Perante este cenário, 51% dos senhorios não está confiante no mercado imobiliário em 2021, acreditando que os incumprimentos contratuais vão continuar. Enquanto isso, 26% acredita que os preços de venda e do arrendamento vão cair. Como consequência, 16,4% admite manter os seus imóveis devolutos em 2021, com uma fatia idêntica a afirmar que tenciona desistir do arrendamento e vender o seu património. Ainda assim, 44% dos proprietários vão colocar os seus imóveis vagos no mercado de arrendamento em 2021.

Proprietários “chumbam” programas de arrendamento acessível

A esmagadora maioria dos senhorios (74,4%) não concorda com a atuação do Governo e com as alterações feitas no arrendamento no âmbito da pandemia. Aqui, mais de um terço (37,2%) sentem-se mal informados, tendo dificuldade em manterem-se atualizados sobre as alterações, enquanto 50,9% referem ter algumas dúvidas, sabendo genericamente o suficiente sobre a matéria.

Questionados sobre os diversos programas que têm sido criados pelo Governo e pelas autarquias para habitações de renda acessível, a esmagadora maioria não se mostra convencida. 89,5% dos senhorios não confiam nestes programas, sendo que apenas 4,8% têm os seus imóveis inscritos no arrendamento acessível. “A desconfiança no Estado e nas autarquias, a volatilidade das leis e o receio de que as regras se alterem ao longo dos contratos, a burocracia, e o prazo muito alargado dos contratos de arrendamento encabeçam os motivos” para tal, refere a ALP.

Mas a falta de confiança dos senhorios no mercado far-se-á sentir na reabilitação urbana. Mais de metade (59,2%) não vai fazer qualquer operação de reabilitação nos seus imóveis, com a indisponibilidade financeira a ser apontada como a principal razão.

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