Países ricos já têm mais de mil milhões de vacinas da Covid-19 que o necessário

  • ECO
  • 19 Fevereiro 2021

Os EUA, a UE, o Reino Unido, a Austrália, o Canadá e o Japão asseguraram mais de 3 mil milhões de doses, um excesso superior a mil milhões face às 2,06 mil milhões necessárias para as suas populações.

Os países mais ricos estão próximos de ter mais de mil milhões de doses de vacinas do que as necessárias para o combate à Covid-19, deixando as nações mais pobres a lutarem por reservas, alerta um relatório de ativistas anti-pobreza, citado pela Reuters.

Após análise dos atuais acordos de fornecimento de vacinas Covid-19, celebrados com as farmacêuticas Pfizer, Moderna, AstraZeneca, Janssen e Novavax, a ONE Campaign concluiu que os países ricos, como os Estados Unidos e Reino Unido, deveriam partilhar mais doses em excesso.

O grupo ativista, que faz campanha contra a pobreza e as doenças evitáveis, disse que a situação põe em risco milhares de milhões de pessoas mais desprotegidas e pode prolongar a pandemia.

Segundo o relatório, os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido, a Austrália, o Canadá e o Japão já asseguraram mais de 3 mil milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Segundo cálculos do referido grupo, o número representa mais de mil milhões acima do que as 2,06 mil milhões necessárias para dar duas doses à respetiva população.

“Este enorme excesso é a encarnação do nacionalismo vacinal”, disse Jenny Ottenhoff, diretora sénior da Campanha para a política. “Os países ricos cobriram compreensivelmente as suas apostas em vacinas no início da pandemia, mas com estas apostas a darem bons frutos, é necessária uma correção de rumo massiva se quisermos proteger milhares de milhões de pessoas em todo o mundo”, acrescentou.

A análise concluiu ainda que, juntamente com outros fornecimentos de vacinas adquiridos pelo plano global de partilha de vacinas Covax e em acordos bilaterais, o excesso de doses dos países ricos contribuiria significativamente para proteger as pessoas vulneráveis nos países mais pobres. Isto reduziria de forma expressiva o risco de mortes causadas pela Covid-19, bem como limitaria as hipóteses de surgimento de novas variantes de vírus e aceleraria o fim da pandemia.

A Organização Mundial de Saúde instou na quinta-feira as nações com vacinas a não as partilharem unilateralmente, mas a doarem-nas ao sistema global Covax para garantir uma maior equidade.

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