Com stands de portas fechadas, vendas de carros caem 59% em fevereiro

Com o país novamente confinado, e com a obrigatoriedade de o setor fechar portas, as novas matrículas emitidas encolheram em 59% no mês passado. A Renault vendeu menos 79%.

As vendas de automóveis novos sofreram uma forte quebra em fevereiro. Com o país novamente confinado, e com a obrigatoriedade de o setor fechar portas, as novas matrículas emitidas encolheram em 59%, de acordo com os dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

“Em fevereiro de 2021 foram matriculados, pelos representantes legais de marca a operar em Portugal, 8.311 veículos ligeiros de passageiros, ou seja menos 59% do que em igual mês do ano anterior”, nota a associação que representa as empresas do setor. “Se considerarmos o conjunto do mercado (ligeiros de passageiros e de mercadorias e veículos pesados), no mês de fevereiro, foram matriculados 10.699 veículos, ou seja, menos 53,6%“.

Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, deixa, por isso, um alerta para a grave crise que o automóvel enfrenta em Portugal. “Estes valores vêm confirmar que o setor automóvel continua a ser um dos mais afetados pela situação que o país está a atravessar, tal como a ACAP tem salientado”, diz, em comunicado.

Em janeiro as vendas já tinham mergulhado, mas em fevereiro a quebra foi ainda mais expressiva com o país em pleno confinamento. Portugal voltou a “fechar” em meados de janeiro, tendo esse confinamento sido reforçado já a 22 de janeiro. Na altura, o Governo cedeu à pressão para encerrar as escolas, sendo que os stands também tiveram de fechar as portas.

"Estes valores vêm confirmar que o setor automóvel continua a ser um dos mais afetados pela situação que o país está a atravessar, tal como a ACAP tem salientado.”

Hélder Pedro

Secretário-geral da ACAP

Assim, tendo em conta os números de fevereiro, juntado a estes os de janeiro, no acumulado deste ano “foram colocados em circulação 23.211 novos veículos, o que representou uma diminuição homóloga de 42,7%”, alerta a ACAP.

Quebra aquém do primeiro confinamento

Apesar do trambolhão nos novos registos em fevereiro, esta quebra é bem menos expressiva do que a registada aquando do primeiro confinamento, entre março e abril de 2020. Nessa altura, as vendas afundaram 85%.

A travar a queda nas venda de automóveis está o facto de, desta vez, mais marcas estarem preparadas para o comércio de automóveis novos online, com praticamente todas a terem nos seus sites ferramentas de configuração e de compra. E várias disponibilizam mesmo a entrega do veículo novo na casa dos clientes.

Renault, de líder a 5.ª no top das vendas

Mesmo não sendo tão expressiva, foi mais um choque para o setor como um todo, mas para muitas das marcas mais comercializadas em particular. A Renault, que durante mais de duas décadas tem sido a líder no mercado nacional, registou uma quebra de 79,5% nas unidades matriculadas em fevereiro (para apenas 575 veículos). No acumulado do ano regista uma quebra de 72%.

A marca francesa surge na quinta posição entre as mais vendidas no mês passado, mas entre as primeiras há quebras entre 35% e mais de 55%. A Peugeot liderou, mas registou uma redução de 34,8% nas vendas, a Mercedes ficou em segundo lugar (-45,1%), à frente da BMW que perdeu 56,2% das vendas na comparação com fevereiro de 2020. Segue-se a Citroën com uma quebra de 48%.

(Notícia atualizada às 17h43 com mais informação)

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