Groundforce espera acordo com o Governo que “permita sobreviver até receber empréstimo” da banca

As negociações entre a Groundforce e o Governo continuam a decorrer e Alfredo Casimiro diz, em declarações ao ECO, que as "diferenças profundas" deixaram de existir.

Ainda não há acordo para o Governo desbloquear financiamento à Groundforce, mas o acionista privado acredita que nas próximas horas será possível encontrar uma solução para o pagamento de salários de fevereiro de 2.400 trabalhadores. Em declarações ao ECO, Alfredo Casimiro explica que além dos 3 milhões imediatos, precisará de apoio enquanto o empréstimo bancário não chegar.

“Tivemos uma reunião muito produtiva com o Governo e enviámos ontem [quarta-feira] uma proposta para o Ministro [Pedro Nuno Santos]. A expectativa é que seja encontrada uma solução para o pagamento de salários. Para isso estou disponível para dar uma garantia das ações da SPdH pelo apoio financeiro que nos permita sobreviver até à chegada do dinheiro“, diz Alfredo Casimiro.

Nessa proposta, o acionista maioritário e presidente do Conselho de Administração da empresa de handling disse ao Ministério das Infraestruturas e da Habitação que aceita dar a sua participação de 50,1% da Groundforce como garantia para o adiantamento do pagamento de serviços (um requisito pedido pela TAP), mas pedia que essa penhora ficasse em vigor apenas até ser conseguido um empréstimo bancário com garantia pública. Estas são as condições que estão a ser negociadas entre o Governo e a Pasogal de Casimiro.

Face ao impacto da pandemia, a Groundforce tinha pedido em julho uma garantia pública para um empréstimo de 30 milhões de euros, mas nunca chegou a receber esse aval. Em simultâneo, pediu o adiantamento do pagamento, em parte ou no todo, das faturas emitidas à TAP por serviços prestados. Foram adiantados 13 milhões de euros entre novembro e janeiro, mas desses, já venceram seis milhões. Assim, a dívida atual é sete milhões de euros, que poderão agora subir para dez milhões, de acordo com o empresário.

"Preocupa-me uma linha de pensamento que todas as empresas podem ser nacionalizadas. Acho difícil que o tema da nacionalização vá para a frente. É um argumento que o ministro está a usar para pressionar a negociação, mas se for depois temos os tribunais para resolver. Todas as minhas energias estão concentradas em conseguir três milhões de euros para pagar os salários.”

Alfredo Casimiro

Presidente do Conselho de Administração da Groundforce

O desbloqueio do dinheiro está condicionado pelo penhor das ações detidas pela Pasogal, que é pedido pela TAP e que Alfredo Casimiro classificou na terça-feira como “incompreensível” e “ilegal”. Entretanto voltou atrás e decidiu aceitar dar a participação como garantia, mas pede mais tempo. “Esta é uma situação extraordinária. Vamos ter de encontrar uma solução”, diz, referindo que ainda não está fechado qual o montante do adiantamento já que os três milhões em cima da mesa chegam apenas para o dinheiro que está em atraso.

“As diferenças profundas que havia entre nós e o Ministério para os financiamentos intercalares para a empresa sobreviver tornaram-se num clima muito positivo e acreditamos que vamos conseguir“, aponta o empresário.

Caso o impasse não seja desbloqueado, os trabalhadores irão manifestar-se esta sexta-feira de manhã à porta do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, após duas outras ações de luta ao longo desta semana. Do lado do Governo, o cenário de nacionalização ainda não foi afastado pelo ministro Pedro Nuno Santos, que já sinalizou a possibilidade de recorrer a uma solução ao género da Efacec para tomar conta da Groundforce, regularizar a situação financeira e voltar a vender a participação a um novo privado.

“Preocupa-me uma linha de pensamento que todas as empresas podem ser nacionalizadas. Acho difícil que o tema da nacionalização vá para a frente. É um argumento que o ministro está a usar para pressionar a negociação, mas se for depois temos os tribunais para resolver“, respondeu Alfredo Casimiro quando confrontado com a possibilidade. Questionado se admite contestar uma eventual nacionalização em tribunal, respondeu que “depende das condições da nacionalização”, mas sublinhou que essa é uma questão que não se coloca neste momento. “Todas as minhas energias estão concentradas em conseguir três milhões de euros para pagar os salários“.

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