Santander avança com planos de saídas e pretende voltar a pagar dividendos à casa mãe

O banco comunicou esta sexta-feira aos trabalhadores que vai avançar com dois planos de redução de pessoal com rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas.

Depois de ter reduzido os quadros em mais de duas centenas de trabalhadores em 2020, o Santander Totta vai emagrecer ainda mais a estrutura de trabalhadores este ano. O banco liderado por Pedro Castro e Almeida anunciou esta sexta-feira planos de redução de pessoal envolvendo rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas. A instituição obteve um lucro de 295,6 milhões de euros no ano passado e diz ao ECO que tenciona voltar a pagar dividendos à casa-mãe espanhola.

Foi através de uma nota enviada aos trabalhadores que a comissão executiva deu conta daquilo que já era aguardado pelos trabalhadores. São dois planos que visam reduzir os quadros do banco, com a administração a justificar a medida com o “contexto transformacional que todo o setor bancário a nível europeu e, necessariamente, também em Portugal, atravessará neste e nos próximos exercícios”. A mensagem, a que o ECO teve acesso, foi inicialmente avançada pelo Expresso.

No comunicado, o banco dá conta dos dois planos em cima da mesa sem revelar as metas.

Por um lado, o plano de adesão voluntária dirigido a todos os trabalhadores que tenham 55 ou mais anos de idade, que arranca já na próxima segunda-feira e que consistirá na apresentação de uma proposta de reforma e/ou de rescisão por mútuo acordo por parte do banco.

Haverá ainda um plano de adesão voluntária para o redimensionamento da rede de balcões. A redução de agências criou “uma redundância inevitável de postos de trabalho” e que o banco quer agora eliminar. Para os trabalhadores visados e que não aceitaram ainda as propostas da instituição para se desvincularem contratualmente, esta solução apresenta-se como o “derradeiro plano consensual”, avisa o banco.

“O banco procurará que as saídas de colaboradores sejam feitas de comum acordo, e privilegiará sempre que possível as aceitações voluntárias a processos unilaterais e formais”, diz a comissão executiva na nota.

O banco chegou ao final de 2020 com 5.980 trabalhadores em Portugal, menos 209 face a 2019. A rede de agências também emagreceu em 62 balcões, com a instituição a dispor agora de 443 balcões.

“Intenção é pagar dividendos”

A pandemia travou o pagamento de dividendos do Santander Totta à casa-mãe no ano passado. Mas o banco português tenciona voltar a partilhar os lucros com o grupo espanhol.

“Em relação a Portugal, a nossa intenção é pagar dividendos. Assim o faremos de acordo com os limites definidos pelos reguladores”, responde o banco a questões colocadas pelo ECO. Não revela, contudo, quanto é que pretende pagar ao seu acionista sob a forma de dividendo.

Há um ano, o Banco Central Europeu (BCE) recomendou aos bancos que congelassem os dividendos e preservassem o capital para reforçarem o apoio à economia e fazer face ao contexto de incerteza. Entretanto, já no final do ano passado, o supervisor abriu a porta aos dividendos, mas com condições: os bancos não podem ir além dos 15% dos lucros e desde que não excedam os 20 pontos base do rácio CET1.

Na banca portuguesa, BPI e Caixa já anunciaram um regresso aos dividendos.

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