Inquérito ao Novo Banco tem documento em inglês que custa 120 mil euros a traduzir

Comissão de inquérito ao Novo Banco tem documento da Oliver Wyman sobre supervisão em Portugal na língua inglesa que custa 120 mil euros a traduzir. Fernando Negrão quer conter custos com tradução.

A comissão de inquérito ao Novo Banco está a discutir se vale a pena traduzir todos os documentos que chegaram em inglês. Foram enviados ao Parlamento milhares e milhares de páginas com informações desde o tempo do BES, muitas delas com utilidade limitada para os deputados. Dentro dos documentos que estão na língua inglesa destaca-se um devido aos elevados custos de tradução: 120 mil euros. É um relatório que foi entregue pela consultora Oliver Wyman, conta ao ECO o presidente da comissão de inquérito ao Novo Banco. “Também toca no Novo Banco, mas tem histórias ligadas à supervisão em geral em Portugal, depois particulariza”, explicou.

A questão dos encargos com a tradução da documentação sobre a queda do BES e a vida do Novo Banco foi levantada ainda antes de se ter iniciado a primeira audição a João Costa Pinto, realizada na passada quarta-feira.

No arranque dessa sessão, depois de eleito o deputado relator Fernando Anastácio, a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua lembrou que o Governo ainda não tinha enviado qualquer informação. “Nem correspondência, nem os compromissos com a União Europeia”, criticou.

Logo de seguida, Fernando Negrão respondeu: “Quanto à Comissão Europeia, temos um problema que diz respeito à tradução. Eu não digo um problema por não teremos meios para a tradução, porque temos. Mas por causa dos custos”.

“Daremos a informação a vossas excelências para terem a noção dos custos das traduções”, acrescentou o presidente, tendo depois salientado que “há um documento com milhares de páginas cuja tradução custa só 100 mil euros”.

Na verdade, custa cerca de 120 mil euros”, precisou Fernando Negrão em declarações ao ECO. “Não é um documento da Comissão Europeia, é um documento da auditora Oliver Wyman que tem milhares de páginas e é muito técnico. Do que li na oblíqua, refere-se à supervisão em geral em Portugal”. A Oliver Wyman, recorde-se, é o agente verificador do Novo Banco, tendo a responsabilidade de validar as chamadas de capital do Fundo de Resolução.

O deputado social-democrata que lidera a comissão explicou que, embora a Assembleia da República tenha os seus tradutores, eles estão ocupados com outros pedidos e a urgência em ter os documentos em inglês traduzidos faz com que a comissão de inquérito tenha de contratar esse serviço externamente. O que faz aumentar a fatura.

Fernando Negrão quer controlar as despesas com a tradução e que se traduza apenas os documentos “imprescindíveis”, até porque os deputados também dominam a língua inglesa. “Os partidos querem a tradução de todos os documentos. Se houver a possibilidade de haver um acordo no sentido de se traduzir os documentos institucionais, era o ideal”, frisou.

Os documentos já recebidos da parte da Comissão Europeia já foram mandados para traduzir, disse Fernando Negrão. Quanto aos restantes que não vieram na língua portuguesa, o presidente indicará a cada deputado a fatura de cada um.

Entretanto, conforme avançou o ECO esta segunda-feira, a comissão de inquérito deu início ao processo para tornar público o relatório secreto sobre a atuação do Banco de Portugal no caso BES. Fernando Negrão ficou de enviar ao presidente da Assembleia da República o pedido de incidente de levantamento urgente do segredo profissional do documento junto do Supremo Tribunal de Justiça.

Esta semana a comissão de inquérito tem agendada apenas uma audição, ao antigo administrador do Novo Banco João Moreira Rato, depois de adiadas as audições dos antigos governadores do Banco de Portugal Carlos Costa e Vítor Constâncio.

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