Alemanha cresce 3,1% em 2021, menos 0,6 pontos que o previsto

  • Lusa
  • 17 Março 2021

Um risco apontado pelos especialistas é a eventualidade de uma terceira vaga. As repercussões só seriam graves se as restrições afetassem a indústria.

O conselho económico que aconselha o Governo alemão estima que a economia nacional cresça 3,1% em 2021, menos seis décimas de ponto percentual do que o previsto no outono, e adverte para o risco de uma nova vaga.

Ao apresentar, esta quarta-feira, o relatório da primavera numa conferência de imprensa virtual, a equipa, conhecida como “cinco sábios”, manteve no entanto a sua previsão de que a principal economia da Europa atingirá os níveis pré-crise até ao final deste ano.

Para Volker Wieland, um dos “cinco sábios”, o “grande risco” é que uma “terceira vaga” possa materializar-se, o que “poderia retardar a recuperação” da economia alemã. Contudo, esclareceu, as repercussões só seriam “graves” se as restrições afetassem a indústria, como aconteceu na primavera passada.

De facto, explicou que a recuperação que a economia alemã está a viver se deve em grande parte à retoma da procura internacional do setor industrial (apesar das restrições ao comércio, hotéis, restaurantes, cultura e lazer).

Os principais parceiros comerciais da Alemanha, a China e os Estados Unidos, recuperaram mais rapidamente do que os parceiros europeus do choque da pandemia e precisam de produtos industriais alemães, argumentou Monika Schnitzer, que também faz parte dos “cinco sábios”.

A previsão dos “cinco sábios” aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha de 4% em 2022. Para a zona euro estimam um crescimento de 4,1% e de 4,2% para este ano e para o próximo.

A inflação – de acordo com o modelo de cálculo harmonizado europeu – aumentará 2,2% e 1,9% na Alemanha este ano e no próximo ano, respetivamente, enquanto na zona euro aumentará um pouco mais moderadamente, designadamente 1,6% nos dois anos.

Em relação às finanças públicas, Achim Truger, também membro do conselho, salientou que “o tempo do défice zero acabou” e que a crise – e as medidas de apoio à economia – afetaram grandemente as contas públicas.

O défice do ano passado acabou por atingir 4,2% – um pouco menos do que o estimado – e este ano o conselho espera que se mantenha em níveis semelhantes, em 4,1%.

Para o próximo ano, contudo, seria significativamente reduzido – se a ajuda estatal terminar, como planeado – para 1,5%, novamente abaixo do limite da União Europeia (UE) de 3,5% para os tempos normais.

Schnitzer acrescentou que o cálculo é que cada trimestre de restrições que é adicionado irá reduzir o PIB anual em um ponto percentual.

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